Sangue menstrual é nova tendência de skin care; entenda os riscos

Sangue menstrual é nova tendência de skin care; entenda os riscos

O que dizem estudos e dermatologistas sobre a tendência? Por que o moon masking ganhou força nas redes?


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Uma nova tendência que causa curiosidade e estranhamento

Você já imaginou usar sangue menstrual como máscara facial? Para algumas pessoas, a ideia parece absurda. Para outras, trata-se de um ritual poderoso de autocuidado, reconexão com o corpo e até rejuvenescimento da pele. Essa prática, conhecida como menstrual masking ou moon masking, vem ganhando espaço nas redes sociais e no universo alternativo do skin care.

Influenciadoras, perfis ligados à espiritualidade feminina e conteúdos virais no TikTok e Instagram apresentam o uso do próprio sangue menstrual no rosto como uma forma de beleza natural, empoderamento e quebra de tabus históricos em torno da menstruação. Mas até que ponto essa tendência é segura?

Quando uma prática estética vira símbolo, a ciência precisa entrar na conversa.

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Para algumas pessoas, a ideia parece absurda. Para outras, trata-se de um ritual poderoso de autocuidado

 

O que é a chamada máscara menstrual?

O menstrual masking consiste em aplicar sangue menstrual diretamente no rosto ou em outras partes do corpo, como se fosse uma máscara de beleza. A prática é defendida como um ritual de autocuidado, cura do útero e reconexão com a chamada “energia feminina”.

Segundo a revista americana Dazed, a hashtag #periodfacemask já ultrapassou bilhões de visualizações, impulsionada por relatos de mulheres que dizem se sentir mais conectadas ao próprio corpo após o ritual. Para muitas adeptas, o gesto é tão simbólico quanto estético, uma forma de ressignificar a menstruação, vista historicamente como algo sujo ou vergonhoso.

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O menstrual masking consiste em aplicar sangue menstrual diretamente no rosto

 

Existe base científica para essa prática?

Alguns defensores do menstrual masking citam um estudo publicado em 2016 no World Journal of Plastic Surgery, que identificou a presença de células-tronco no sangue menstrual, com potencial de regeneração de tecidos. Além disso, o fluido contém minerais como zinco, magnésio e cobre, comuns em produtos de skin care industrializados.

Essas informações ajudam a explicar por que a ideia parece, à primeira vista, promissora. No entanto, especialistas alertam que uma coisa é o uso desses componentes em ambientes clínicos controlados, outra completamente diferente é aplicá-los de forma caseira e sem esterilização.

Ter nutrientes não significa ser seguro fora de um contexto médico.

⚠️ Quais são os riscos do sangue menstrual na pele?

Dermatologistas são categóricos ao afirmar que não há evidências científicas confiáveis de que aplicar sangue menstrual diretamente na pele traga benefícios estéticos ou dermatológicos. Pelo contrário.

O sangue menstrual não é estéril. Ele pode conter secreções vaginais, tecido endometrial, bactérias e fungos. Quando coletado de forma caseira, sem qualquer controle sanitário, o risco de infecções, dermatites, acne inflamatória e até contaminações mais graves aumenta consideravelmente.

Além disso, a pele do rosto é sensível e possui uma barreira protetora delicada. Submeter essa região a microrganismos pode causar danos difíceis de reverter, especialmente em pessoas com pele sensível ou condições pré-existentes.

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Dermatologistas são categóricos ao afirmar que não há evidências científicas confiáveis para essa prática

 

Mas isso não lembra o famoso “vampire facial”?

A comparação é comum, mas enganosa. O chamado PRP facial, popularmente conhecido como “vampire facial”, é um procedimento médico realizado em clínicas especializadas. Ele utiliza o plasma rico em plaquetas retirado do próprio sangue do paciente, processado em ambiente estéril e aplicado com técnicas específicas.

Esse tratamento estimula a produção de colágeno, melhora textura, elasticidade e sinais de envelhecimento, mas nada tem a ver com o uso direto do sangue menstrual em casa. A semelhança está apenas no imaginário, não na prática nem na segurança.

Entre simbolismo, estética e saúde

Não há dúvida de que o menstrual masking carrega um forte componente simbólico e político. Ele desafia tabus, questiona padrões e promove conversas importantes sobre o corpo feminino. No entanto, quando o assunto é saúde da pele, o consenso médico é claro: o risco supera qualquer benefício não comprovado.

Ressignificar a menstruação é válido. Colocar a saúde em risco, não.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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