Quem são os Houthis? Conheça o grupo que desafia potências

Quem são os Houthis? Conheça o grupo que desafia potências

Conheça o grupo extremista do Iêmen que virou ameaça global e desestabiliza o comércio no Mar Vermelho.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Você já ouviu falar nos Houthis, um grupo rebelde do Iêmen que começou como uma pequena seita religiosa xiita? Pois é… hoje eles interrompem o comércio global, lançam mísseis de longo alcance e ameaçam países como Israel, EUA e Reino Unido. E tudo isso com o apoio estratégico de ninguém menos que o Irã.

Os Houthis não são apenas uma milícia local: são uma engrenagem ativa no que muitos chamam de "Eixo da Resistência", uma rede de grupos alinhados ao Irã que inclui nomes como o Hezbollah e o Hamas. Com isso, eles se tornaram parte de um xadrez geopolítico perigoso, afetando desde a política do Oriente Médio até o frete marítimo entre a Ásia e a Europa.

Um grupo extremista com ambições globais

Também chamados de Ansar Allah ("Apoiadores de Deus"), os Houthis defendem um tipo de islamismo xiita pouco comum fora do Iêmen, o zaidismo. Eles têm um lema chocante:

"Deus é grande, morte à América, morte a Israel, malditos sejam os judeus, vitória ao Islã."

Com slogans assim, já dá pra imaginar que suas intenções vão muito além do território iemenita. Em 2024 e 2025, eles lançaram mais de 100 ataques no Mar Vermelho, dispararam mísseis contra Israel a mais de 2.400 km de distância, e forçaram retaliações aéreas dos EUA, Reino Unido e Israel.

Por que o Mar Vermelho importa tanto?

O Mar Vermelho é uma das rotas comerciais mais importantes do planeta. Ele conecta o Canal de Suez (no Egito) ao Oceano Índico, servindo como uma ponte marítima entre a Europa e a Ásia. Estima-se que 12% do comércio mundial passe por ali.

Agora, imagine esse tráfego sendo interrompido por mísseis, drones e bloqueios de navios. É exatamente isso que os Houthis têm feito — não só contra Israel, mas contra embarcações de vários países, afetando preços, entregas e cadeias logísticas globais.

Crianças-soldado, crise humanitária e caos

Além do conflito geopolítico, o domínio Houthi no norte do Iêmen ajudou a desencadear uma das piores crises humanitárias do mundo:

  • Cerca de 17 milhões de pessoas com fome aguda

  • Quase 400 mil mortos desde o início da guerra

  • Mais de 4,5 milhões de desabrigados

  • E o mais chocante: crianças de até 13 anos sendo usadas como soldados.

E o que isso tem a ver com você?

Se você acha que tudo isso está distante, pense de novo. Quando um grupo armado fecha o Mar Vermelho, os efeitos chegam aos portos do Brasil, às entregas do seu e-commerce, aos preços dos combustíveis e alimentos.
Vivemos em um mundo conectado — e um conflito como esse pode ter mais impacto na sua vida do que você imagina.

Curiosidades extras:

  • Os Houthis controlam Sanaa, a capital do Iêmen, desde 2014.

  • Eles são os únicos aliados do Irã com mísseis balísticos antinavio.

  • Mesmo após tréguas internacionais, continuam os ataques sob justificativas ideológicas e geopolíticas.

  • O líder atual é Abdul Malik al-Houthi, irmão do fundador do grupo, morto em 2004.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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