Quem foram os inimigos públicos dos EUA ao longo da história?

Quem foram os inimigos públicos dos EUA ao longo da história?

Os inimigos públicos mais famosos dos Estados Unidos. Veja o infográfico.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Um museu imaginário dos antagonistas do Império

Se existisse um museu dedicado aos grandes antagonistas da política internacional, os Estados Unidos teriam uma ala inteira reservada a ele. Ao longo do século 20 e do início do século 21, diversos líderes, guerrilheiros e chefes militares ocuparam o posto simbólico de “inimigo público número 1” do país mais poderoso do mundo.

Alguns foram capturados, outros mortos em operações cirúrgicas, alguns envelheceram no poder e outros se transformaram em mitos. Em comum, todos desafiaram interesses estratégicos, econômicos ou ideológicos de Washington.

Ser inimigo público dos EUA quase nunca é apenas sobre moral. Geralmente envolve poder, influência e controle de narrativas.

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Infográfico com linha do tempo dos Inimigos Públicos dos EUA

 

Guerra Fria: quando a ideologia definia o inimigo

Durante a Guerra Fria, o mundo era dividido em dois campos. De um lado, os Estados Unidos. Do outro, qualquer figura associada à expansão do comunismo global.

Che Guevara talvez seja o exemplo mais simbólico. Argentino, revolucionário e convertido em ícone pop, ele foi capturado pelo Exército boliviano em 1967, com apoio da CIA, e executado sumariamente. Paradoxalmente, sua morte o tornou mais poderoso como símbolo do que jamais foi como estrategista militar.

Fidel Castro seguiu o caminho oposto. Governou Cuba por décadas, sobreviveu a inúmeras tentativas de assassinato e nunca foi capturado. Tornou-se um dos líderes que mais desafiaram os EUA sem jamais cair diretamente em suas mãos.

No Vietnã, Ho Chi Minh liderou a resistência comunista contra a presença americana. Morreu antes do fim da guerra, mas sua causa venceu. Um raro caso em que o inimigo triunfou mesmo depois de morto.

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Durante a Guerra Fria, o mundo era dividido em dois campos

 

☢️ Ditadores e Estados considerados hostis

Com o avanço do poder nuclear, novos inimigos passaram a representar ameaças existenciais. Joseph Stalin, líder da União Soviética, nunca foi capturado e morreu de causas naturais, mas moldou toda a lógica de rivalidade entre superpotências.

Na Coreia do Norte, Kim Il-sung fundou um regime que atravessou gerações. Seu filho, Kim Jong-il, manteve o programa nuclear, e Kim Jong-un segue no poder até hoje, desafiando sanções e ameaças sem nunca ser derrubado.

Outros destinos foram bem diferentes. Muammar Gaddafi, na Líbia, foi capturado e morto em 2011 após uma intervenção apoiada pela OTAN. Saddam Hussein, no Iraque, foi encontrado escondido em um buraco subterrâneo, julgado e enforcado em 2006.

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Na Coreia do Norte, Kim Il-sung fundou um regime que atravessou gerações

 

Terrorismo internacional: a era das caçadas globais

Após os atentados de 11 de setembro de 2001, o conceito de inimigo público ganhou um novo rosto. Agora, não era mais um Estado, mas líderes de organizações terroristas transnacionais.

Osama bin Laden tornou-se o símbolo máximo dessa fase. Localizado no Paquistão em 2011, foi morto por forças especiais americanas. Seu corpo foi lançado ao mar, encerrando uma das maiores caçadas humanas da história.

Seu sucessor, Ayman al-Zawahiri, teve destino semelhante anos depois, morto em um ataque de drone. Já Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico, morreu ao se suicidar durante um cerco militar em 2019.

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Após os atentados de 11 de setembro de 2001 iniciou a Guerra ao Terror

 

América Latina: entre golpes, petróleo e antagonismo

Na América Latina, os inimigos públicos dos EUA costumam surgir na interseção entre política, recursos naturais e influência regional.

Manuel Noriega, no Panamá, foi capturado após uma invasão militar em 1989. Preso nos Estados Unidos, morreu anos depois longe do poder.

Hugo Chávez nunca foi capturado. Governou a Venezuela com discurso antiamericano, controle do petróleo e forte apelo popular. Morreu em 2013, vítima de câncer, deixando um legado profundamente polarizador.

Seu sucessor, Nicolás Maduro, se tornou um dos líderes mais controversos do planeta. Acusado de fraude eleitoral, tráfico internacional de drogas e crimes contra a humanidade, o presidente venezuelano está no centro de uma das maiores crises políticas, humanitárias e diplomáticas da América Latina nas últimas décadas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita em uma rede social.

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Nicolás Maduro, se tornou um dos líderes mais controversos do planeta

 

️ Outros antagonistas que marcaram época

O aiatolá Khomeini, líder da Revolução Islâmica no Irã, entrou para a história após a crise dos reféns americanos. Nunca foi capturado e morreu no poder.

Décadas depois, o general iraniano Qasem Soleimani foi morto em um ataque de drone dos EUA em 2020, um episódio que elevou drasticamente a tensão no Oriente Médio.

Na Europa, Slobodan Milošević, líder sérvio durante as guerras dos Bálcãs, foi preso em 2001 e levado a julgamento em Haia, onde morreu antes da sentença final.

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Khamenei discursando nesta quarta, com retrato de Khomeini ao fundo

 

⚠️ O que realmente significa ser “inimigo público”?

Apesar do peso da expressão, “inimigo público” não é uma categoria jurídica fixa. Trata-se de uma construção política, midiática e estratégica, que muda conforme o contexto histórico e o governo no poder.

Muitos nomes dessa lista já foram aliados em outros momentos. Outros deixaram de ser inimigos quando deixaram de ser úteis como antagonistas.

No fim das contas, o status de inimigo quase sempre envolve petróleo, ideologia, armas, influência regional ou narrativa global.

O museu dos antagonistas do Império segue aberto. E, como a história mostra, novas salas sempre podem ser inauguradas.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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