No século 18, bem antes de qualquer discussão moderna sobre igualdade racial ou feminismo, uma mulher negra comandava com sabedoria, coragem e inteligência uma comunidade inteira no interior do Brasil. O nome dela? Tereza de Benguela.
Sim, você leu certo. Tereza liderou o Quilombo do Quariterê, próximo ao Pantanal, em uma época em que ser mulher, negra e livre era algo impensável para os padrões da colônia. E não foi por pouco tempo: foram vinte anos de resistência contra o sistema escravocrata.
Uma líder com visão de futuro
Após a morte de seu companheiro, José Piolho, assassinado por soldados, Tereza assumiu o comando do quilombo. Mas ela não foi apenas uma guerreira: montou uma estrutura política e administrativa própria, com algo parecido a um parlamento e até uma espécie de constituição local.
Além disso, ela organizou a produção de algodão, milho, mandioca e tecidos, e criou sistemas de troca e venda com vilas próximas. Armas que vinham de conflitos eram transformadas em ferramentas. Nada era desperdiçado.
Como Tereza de Benguela morreu?
As versões sobre sua morte são trágicas, mas todas reforçam sua imagem de resistência até o fim. Há relatos de que, capturada por bandeirantes, Tereza teria se recusado a retornar à escravidão, entrando em profunda tristeza até morrer. Outros registros indicam que ela foi assassinada ou teve a cabeça exposta publicamente como forma de intimidação.
Por que ela é lembrada no dia 25 de julho?
No Brasil, o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, celebrado em 25 de julho, é uma homenagem à sua luta e ao papel fundamental das mulheres negras na história. A data também marca o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, reconhecido pela ONU desde 1992.
Muito além dos livros de história
Tereza de Benguela já foi tema de samba-enredo, homenagens culturais e, cada vez mais, símbolo de uma história que merece ser conhecida por todos os brasileiros. Sua trajetória é uma inspiração para quem acredita em justiça, igualdade e força coletiva.
✊ Já imaginou isso?
Uma mulher negra, em pleno século 18, organizando um quilombo como um reino, defendendo sua gente, criando leis, liderando com sabedoria… Isso não é apenas história. É poder ancestral. É Brasil.