A surpreendente e curiosa origem do nome Black Friday
Imagine caminhar por uma cidade tomada por rumores, investidores desesperados e preços despencando de um dia para o outro. Parece início de um filme dramático, mas essa foi a atmosfera do dia em que a expressão Black Friday surgiu pela primeira vez. Nada tinha a ver com compras, vitrines chamativas ou promoções. Era, na verdade, um cenário de crise.
Hoje, a Black Friday ilumina vitrines e desperta a expectativa de milhões de consumidores ao redor do mundo. Mas suas raízes revelam uma história cheia de reviravoltas, personagens marcantes e até decisões presidenciais.
“A Black Friday nem sempre significou descontos. Antes disso, significou colapso, desespero e confusão.”
A primeira Black Friday da história
Segundo a BBC, o termo apareceu em 24 de setembro de 1869, quando os especuladores Jay Gould e James Fisk tentaram manipular o mercado de ouro na Bolsa de Nova York. A jogada provocou uma distorção tão grande que o governo americano precisou intervir, aumentando a oferta de ouro e derrubando o preço de forma abrupta.
O resultado foi devastador. Investidores perderam fortunas, e esse dia passou a ser lembrado como a verdadeira “sexta-feira negra”.
Por que “negra”?
O linguista Benjamin Zimmer, editor do Vocabulary.com, lembra que durante muito tempo o adjetivo “negro” era usado para marcar tragédias ou eventos extremamente negativos. Nada de conotação festiva.
A data ganha novo significado
Décadas depois, a Black Friday começou a se transformar.
Em 1905, a loja canadense Eaton’s inaugurou um desfile com a chegada de Papai Noel, marcando simbolicamente o início das compras de fim de ano. A ideia viajou rapidamente e inspirou a gigante americana Macy’s a criar seu próprio desfile após o Dia de Ação de Graças a partir de 1924.
Isso aproximou a sexta-feira do calendário natalino, estimulando as compras.
Mas foi em 1939 que tudo mudou. Preocupados com o calendário apertado para vendas, comerciantes pediram ao então presidente Franklin Roosevelt para antecipar o início oficial da temporada natalina. O pedido foi aceito e, em 1941, o Congresso definiu que o Dia de Ação de Graças seria celebrado na quarta quinta-feira de novembro, garantindo mais tempo para comprar.
O termo Black Friday demorou a pegar
Mesmo com o movimento intenso, a expressão Black Friday ainda não era usada de forma positiva.
Na Filadélfia, policiais chamavam a data de “sexta-feira negra” devido ao caos no trânsito, tumulto e poluição que tomavam conta das ruas. Lojistas tentaram adotar o termo “Big Friday”, mas não colou.
Somente nos anos 1990 o nome Black Friday começou a se espalhar por todo o país e ganhar contornos de estratégia de marketing. Nos anos 2000, tornou-se oficialmente a febre que conhecemos hoje.
A Black Friday conquista o mundo
Com o tempo, a tradição atravessou fronteiras. Lojistas canadenses perceberam que consumidores viajavam aos Estados Unidos para aproveitar descontos e decidiram oferecer promoções próprias. Depois, México e outros países seguiram o mesmo movimento.
No Brasil, a data é inspirada diretamente no calendário americano, sempre após o Dia de Ação de Graças. Aqui, as promoções geralmente duram a semana inteira e se estendem até depois da segunda-feira seguinte.
O impacto da data no Brasil
Em 2024, a Abiacom registrou R$ 7,93 bilhões movimentados só no comércio online durante a semana da Black Friday. Para este ano, a previsão é de crescimento, chegando a R$ 9,08 bilhões em compras pela internet.
“A Black Friday brasileira virou um fenômeno próprio, moldado pelo comportamento digital e pela busca por ofertas antes do Natal.”