Protestos, execuções e MIGA. Entenda a situação atual do Irã

Protestos, execuções e MIGA. Entenda a situação atual do Irã

Irã em 2026: protestos, repressão e risco de ruptura. Entenda o cenário político do país em 2026.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Quando o medo começa a perder força

Em muitas cidades iranianas, o som que domina as noites já não é apenas o das sirenes ou dos anúncios oficiais. São gritos, passos apressados e palavras de ordem que ecoam contra um regime acostumado ao silêncio imposto pela força. Em janeiro de 2026, o Irã vive um dos momentos mais delicados desde a Revolução Islâmica de 1979.

O país está atravessado por protestos, repressão violenta, crise econômica profunda e uma pressão internacional que voltou a escalar perigosamente. A sensação geral, dentro e fora do Irã, é de que algo estrutural está sendo testado.

Quando um regime precisa aumentar a repressão para sobreviver, é sinal de que sua base já não sustenta o peso do poder.

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A sensação geral, dentro e fora do Irã, é de que algo estrutural está sendo testado

 

Mudanças no governo, permanência no poder

A morte do então presidente Ebrahim Raisi, em maio de 2024, abriu caminho para eleições antecipadas e levou ao poder Masoud Pezeshkian, um político de perfil moderado. A vitória foi interpretada por muitos como um sinal de abertura. Na prática, porém, pouco mudou na engrenagem central do regime.

O poder real continua concentrado nas mãos do Líder Supremo, Ali Khamenei, e de órgãos como o Conselho Guardião e a Guarda Revolucionária. O presidente segue limitado, operando dentro de fronteiras bem definidas pela elite clerical e militar.

Entre a população, o sentimento predominante é de ceticismo. A troca de nomes no Executivo não alterou a realidade cotidiana marcada por inflação, desemprego e restrições severas às liberdades individuais.

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O poder real continua concentrado nas mãos do Líder Supremo, Ali Khamenei

 

Protestos, prisões e repressão em escala nacional

Desde o final de 2025, o Irã enfrenta protestos amplos, comparáveis apenas aos de 2019 e ao movimento “Mulher, Vida, Liberdade” de 2022. O estopim foi econômico, mas rapidamente as manifestações ganharam tom político, com pedidos explícitos pelo fim do regime teocrático.

A resposta veio com força. A Guarda Revolucionária Islâmica foi mobilizada, a internet sofreu apagões e a violência letal voltou a ser empregada como instrumento de contenção. Relatórios independentes apontam dezenas de mortos e milhares de presos em poucas semanas.

As prisões iranianas, especialmente a de Evin, tornaram-se símbolo dessa repressão renovada. Dissidentes, jornalistas, defensores de direitos humanos e membros de minorias religiosas foram detidos em massa, muitas vezes sem acusação formal.

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A Guarda Revolucionária Islâmica foi mobilizada

 

Execuções e o uso do terror como política

Paralelamente às detenções, o regime acelerou as execuções. Julgamentos sumários, confissões sob tortura e acusações de espionagem tornaram-se comuns, sobretudo após o conflito com Israel em 2025.

Os números impressionam. O Irã já liderava o ranking mundial de execuções e, mesmo assim, ampliou drasticamente esse ritmo. Organizações internacionais alertam que a pena de morte vem sendo usada como ferramenta de intimidação coletiva.

Executar para governar revela mais fragilidade do que força.

Trump, conflito e isolamento internacional

O retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos em 2025 redefiniu completamente a relação com Teerã. A diplomacia deu lugar à confrontação direta. O acordo nuclear foi abandonado de vez e, em junho de 2025, um conflito militar envolvendo Israel e os EUA atingiu instalações estratégicas iranianas.

Os ataques agravaram a crise econômica interna, derrubaram a moeda local e ampliaram o descontentamento popular. Em resposta, o Irã expulsou inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica, Agência Internacional de Energia Atômica, aprofundando seu isolamento.

Trump não escondeu o objetivo político por trás da pressão. Declarações públicas de apoio aos manifestantes e ameaças diretas ao regime reforçaram o clima de confronto aberto.

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A diplomacia deu lugar à confrontação direta

 

Make Iran Great Again: mais que um slogan

Foi nesse contexto que surgiu o movimento “Make Iran Great Again”, conhecido como MIGA. O slogan, lançado por Trump, foi rapidamente apropriado por iranianos dentro e fora do país como símbolo de ruptura com a teocracia.

Para muitos, a ideia de “grandeza” não remete a nostalgia política, mas a algo mais simples: normalidade. Um país sem censura, sem execuções em massa e sem isolamento internacional.

O movimento reúne setores diversos da oposição, incluindo apoiadores de Reza Pahlavi, mas também jovens, mulheres, trabalhadores e grupos laicos que nunca se identificaram com a monarquia. O elo comum é o esgotamento coletivo.

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Foi nesse contexto que surgiu o movimento “Make Iran Great Again”, conhecido como MIGA

 

Um futuro em aberto

O Irã chega a 2026 pressionado por todos os lados. Internamente, o medo já não paralisa como antes. Externamente, sanções, ataques e isolamento corroeram as margens de manobra do regime.

Nada garante uma queda iminente. O aparato repressivo ainda é poderoso e a história mostra que o regime não hesita em recorrer à violência extrema. Ainda assim, analistas concordam em um ponto: raramente a República Islâmica esteve tão vulnerável.

Entre a repressão total e a possibilidade de mudança, o país vive uma espera tensa. O que nascerá desse conflito entre um povo que perdeu o medo e um regime que se recusa a ceder ainda é incerto. Mas uma coisa parece clara: o Irã de antes já não existe mais.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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