Por que tantos jovens estão com dor nas costas? O alerta que preocupa especialistas
Imagine um adolescente de 16 anos estudando horas seguidas, preso à cadeira, revisando matérias no notebook e quase sem levantar ao longo do dia. Essa cena parece comum, mas está criando um problema crescente que já aparece nas estatísticas de saúde pública: o aumento da dor nas costas entre jovens e adolescentes.
A dor nas costas se tornou uma das queixas mais frequentes nos atendimentos do SUS. E o mais surpreendente é que a faixa etária mais afetada deixou de ser apenas a adulta. Agora, adolescentes e até jovens com menos de 19 anos também estão chegando aos hospitais e ambulatórios com dores intensas.
Atendimentos por dor nas costas aumentaram no Brasil
Nos últimos cinco anos, o número de atendimentos hospitalares relacionados à dor nas costas cresceu 37,5% no Sistema Único de Saúde.
Os atendimentos ambulatoriais também aumentaram de forma significativa, com alta de 27%.
A maior parte dos pacientes ainda está entre 20 e 59 anos, mas o crescimento mais acelerado acontece entre os jovens. Esse aumento coloca luz sobre um problema silencioso que tem tudo a ver com o estilo de vida atual.
“É algo que todo mundo tem, teve ou terá, e essa frequência parece estar aumentando por conta das mudanças nos hábitos de vida”, destaca o ortopedista Raphael Marcon, chefe do grupo de coluna do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Sedentarismo e dor nas costas: a ligação que preocupa
A rotina moderna criou um cenário perfeito para o surgimento da dor na coluna. Horas sentado, pouco movimento, excesso de telas e falta de exercícios regulares formam um combo que afeta diretamente a saúde da coluna, principalmente entre os jovens.
Como o sedentarismo afeta a coluna?
O sedentarismo reduz a força muscular, aumenta a rigidez das articulações e pressiona as estruturas da coluna lombar e cervical. Com isso, mesmo pequenas tarefas diárias podem gerar desconforto e dor.
Por que os jovens estão sofrendo agora?
A combinação de estudo remoto, trabalho híbrido, horas de jogos e redes sociais cria longos períodos de inatividade, algo que antes não acontecia de forma tão intensa nessa faixa etária.
Atividade física é o principal aliado contra a dor
Mesmo com tantos tratamentos disponíveis, um fator se destaca nas evidências científicas: mover o corpo regularmente ainda é o melhor remédio.
“Uma das poucas coisas com provas científicas robustas para se ter menos dor nas costas é a atividade física regular”, reforça Marcon.
Que tipo de exercício ajuda mais?
A maioria das práticas traz benefícios, desde caminhadas até treinos de fortalecimento. O importante é manter o corpo ativo, melhorar a postura e reduzir a pressão constante sobre a coluna.
A regra do 30/30: simples, prática e eficaz
Para quem passa longas horas sentado, existe uma recomendação simples que pode transformar a saúde da coluna.
“A regra do 30/30: a cada 30 minutos sentado, lembrar de fazer pelo menos 30 segundos de pé. O simples ato de se movimentar alivia a tensão e a sobrecarga sobre as estruturas da coluna”, explica o ortopedista.
Por que isso funciona?
O corpo humano não foi feito para permanecer imóvel por tanto tempo. Ao levantar, mesmo por poucos segundos, a circulação melhora, os músculos relaxam e a coluna recebe menos pressão.
Como prevenir dor nas costas no dia a dia?
Prevenir dor nas costas não exige mudanças radicais. Pelo contrário, pequenas ações que cabem na rotina de qualquer pessoa já fazem diferença.
Dicas rápidas para proteger a coluna
• Levantar-se a cada meia hora.
• Ajustar a altura da cadeira e do monitor.
• Evitar curvar o pescoço ao usar o celular.
• Fortalecer a musculatura do core.
• Praticar atividades físicas ao menos três vezes por semana.
A dor nas costas como sinal de alerta
A dor nas costas não aparece por acaso. Ela costuma ser o primeiro aviso de que o corpo precisa de movimento, fortalecimentos e menos tempo na mesma posição.
“O corpo foi feito para se mover, e a dor é o lembrete mais claro disso”, destacam especialistas.
Entender esse sinal e ajustar a rotina pode evitar problemas mais sérios no futuro, especialmente entre os jovens que já começam a sofrer cedo demais.