Pais levam seis anos para recuperar sono perdido com bebê recém-nascido

Pais levam seis anos para recuperar sono perdido com bebê recém-nascido

Recuperar sono perdido é mais difícil do que muitos imaginam. Especialistas explicam os impactos da privação de sono na saúde.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Estudo revela quanto tempo leva para recuperar sono perdido após chegada de um bebê. Quem já teve um recém-nascido em casa conhece bem a cena. Ainda está escuro quando um choro interrompe o silêncio da madrugada. Os pais se levantam, alimentam o bebê, trocam fraldas, acalmam a criança e, quando finalmente voltam para a cama, poucas horas depois tudo recomeça. Essa rotina faz parte dos primeiros meses de vida de muitas famílias, mas uma pesquisa revelou que seus efeitos podem durar muito mais tempo do que se imaginava.

Segundo um estudo realizado pela Universidade de Warwick, no Reino Unido, recuperar sono perdido após a chegada do primeiro filho pode levar cerca de seis anos. A pesquisa mostra que não são apenas as noites mal dormidas dos primeiros meses que fazem diferença. A qualidade e a duração do sono permanecem alteradas durante vários anos, especialmente entre as mães.

Os resultados ajudam a explicar por que tantos pais relatam sensação constante de cansaço mesmo muito tempo depois de o bebê começar a dormir melhor.

A pesquisa concluiu que a duração e a qualidade do sono só voltam a níveis semelhantes aos anteriores à chegada do bebê depois de aproximadamente seis anos.

A pesquisa concluiu que a duração e a qualidade do sono só voltam a níveis semelhantes aos anteriores à chegada do bebê depois de aproximadamente seis anos

Quanto tempo leva para recuperar sono perdido?

Para responder essa pergunta, pesquisadores acompanharam mais de 4.600 adultos na Alemanha entre 2008 e 2015.

Participaram do estudo 2.541 mulheres e 2.118 homens que estavam esperando o primeiro, o segundo ou o terceiro filho. Todos responderam, ano após ano, questionários sobre quantas horas dormiam por noite e como avaliavam a qualidade do próprio sono em uma escala de zero a dez.

Os dados revelaram que recuperar sono perdido é um processo muito mais lento do que se acreditava.

Mesmo quando os filhos crescem e deixam de acordar durante a madrugada, muitos pais continuam apresentando noites menos reparadoras do que antes da gravidez.

A pesquisa concluiu que a duração e a qualidade do sono só voltam a níveis semelhantes aos anteriores à chegada do bebê depois de aproximadamente seis anos.

As mães sofrem um impacto muito maior

O estudo identificou uma diferença significativa entre homens e mulheres.

Durante o primeiro ano de vida do bebê, as mães dormem, em média, cerca de 40 minutos a menos por noite em comparação ao período anterior à gravidez.

Entre os pais, a redução média foi de aproximadamente 13 minutos.

Embora ambos sejam afetados, os pesquisadores observaram que as mulheres enfrentam uma sobrecarga maior, principalmente por concentrarem boa parte dos cuidados noturnos com o recém-nascido.

Outro dado interessante é que mães de primeira viagem costumam sofrer um impacto ainda mais intenso do que aquelas que já passaram pela experiência anteriormente.

A pesquisa concluiu que a duração e a qualidade do sono só voltam a níveis semelhantes aos anteriores à chegada do bebê depois de aproximadamente seis anos.

A pesquisa concluiu que a duração e a qualidade do sono só voltam a níveis semelhantes aos anteriores à chegada do bebê depois de aproximadamente seis anos

Por que é tão difícil recuperar sono perdido?

Dormir não significa apenas permanecer algumas horas na cama.

A qualidade do sono depende de diversos fatores físicos, hormonais, emocionais e sociais. A chegada de um filho altera praticamente todos eles ao mesmo tempo.

Além das interrupções constantes durante a madrugada, entram em cena preocupações financeiras, mudanças na rotina da casa, adaptação ao novo papel de pai ou mãe e, muitas vezes, ansiedade.

Esses fatores acabam prolongando os efeitos da privação de sono mesmo quando o bebê já consegue dormir por períodos maiores.

O sono perdido não afeta apenas o descanso. Ele influencia diretamente a saúde física, emocional e a qualidade de vida de toda a família.

O apoio faz toda a diferença

Os pesquisadores destacam que um dos fatores mais importantes para recuperar sono perdido é o suporte recebido durante os primeiros anos da criança.

Quando existe uma divisão equilibrada dos cuidados entre os responsáveis, ou quando a família conta com uma rede de apoio, os impactos tendem a ser menores.

Esse suporte não envolve apenas ajudar nas tarefas relacionadas ao bebê, mas também oferecer apoio emocional, reduzir a sobrecarga e permitir que ambos os pais tenham momentos adequados de descanso.

Segundo os autores, preparar-se para essa nova rotina também pode reduzir parte do impacto.

Buscar informações sobre higiene do sono infantil, organizar turnos de cuidado e compreender que as noites interrompidas fazem parte do desenvolvimento do bebê ajudam a diminuir a frustração dos primeiros meses.

Além disso, especialistas lembram que dormir bem é essencial não apenas para os adultos, mas também para o desenvolvimento saudável das crianças.

O sono adequado fortalece o sistema imunológico, favorece o desenvolvimento cerebral, melhora o aprendizado e contribui para o equilíbrio emocional.

Por isso, investir em boas rotinas de descanso beneficia toda a família.

A pesquisa reforça uma percepção que muitos pais já tinham na prática: recuperar sono perdido depois da chegada de um filho é um processo gradual e que exige tempo, paciência e adaptação.

Embora seis anos pareçam muito, entender que essa fase é natural pode ajudar famílias a lidarem melhor com um dos maiores desafios da maternidade e da paternidade.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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