O que é o lado oculto da Lua? O que os cientistas buscam?

O que é o lado oculto da Lua? O que os cientistas buscam?

Por que nunca vemos o lado oculto da lua? Cientistas acreditam que a região guarda pistas antigas.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Imagine olhar para a Lua todas as noites e perceber que ela sempre mostra exatamente a mesma face para a Terra. Não importa se é hoje, amanhã ou daqui a dez anos. Existe uma parte do satélite que simplesmente nunca vemos daqui.

Essa região ficou conhecida como lado oculto da lua e, durante muito tempo, foi cercada de mistério, teorias e imaginação. Houve quem acreditasse que ela fosse permanentemente escura, quem imaginasse bases secretas e até quem pensasse que existiam fenômenos inexplicáveis acontecendo por lá.

Mas a verdade é ainda mais interessante.

O lado oculto da lua existe porque a Lua leva praticamente o mesmo tempo para girar em torno de si mesma e para completar uma volta ao redor da Terra. Esse fenômeno é chamado de rotação sincronizada. Como resultado, a mesma face lunar fica sempre voltada para o nosso planeta.

Apesar do nome, o lado oculto da lua não fica no escuro o tempo todo.

Apesar do nome, o lado oculto da lua não fica no escuro o tempo todo

O lado oculto da lua é realmente escuro?

Apesar do nome, o lado oculto da lua não fica no escuro o tempo todo.

Ele recebe luz do Sol normalmente, assim como a face que enxergamos da Terra. A diferença é que nós simplesmente não conseguimos vê-lo daqui por causa da posição da Lua em relação ao planeta.

Isso significa que o lado oculto da lua passa por dia e noite exatamente como qualquer outra região lunar.

O nome “oculto” acabou pegando porque essa face ficou escondida da observação humana durante milhares de anos.

As primeiras imagens reais dessa região só apareceram em 1959, quando a sonda soviética Luna 3 conseguiu fotografá-la pela primeira vez. Até então, ninguém sabia exatamente como era aquela parte da Lua.

O lado oculto da lua não é invisível porque está no escuro. Ele é invisível porque nunca fica voltado para a Terra.

O lado oculto da lua não é invisível porque está no escuro. Ele é invisível porque nunca fica voltado para a Terra.

O lado oculto da lua não é invisível porque está no escuro. Ele é invisível porque nunca fica voltado para a Terra

Como é o lado oculto da lua?

As primeiras imagens surpreenderam os cientistas porque mostraram que o lado oculto da lua é muito diferente da face que vemos daqui.

O lado visível possui grandes áreas escuras e relativamente lisas, conhecidas como mares lunares. Já o lado oculto da lua é muito mais irregular, acidentado e cheio de crateras.

Existem menos planícies e muito mais montanhas, relevos elevados e marcas antigas de impactos.

Os pesquisadores acreditam que isso aconteceu porque os dois lados da Lua esfriaram de maneiras diferentes bilhões de anos atrás.

A face voltada para a Terra teria permanecido quente por mais tempo por causa da radiação do próprio planeta. Já o lado oculto da lua esfriou mais rapidamente, formando uma crosta mais espessa e preservando mais cicatrizes da história antiga do Sistema Solar.

Por que o lado oculto da lua interessa tanto aos cientistas?

Para os cientistas, o lado oculto da lua funciona como uma espécie de cápsula do tempo.

Como essa região preservou mais crateras e estruturas antigas, ela pode ajudar a entender melhor os primeiros bilhões de anos do Sistema Solar.

Algumas crateras ali foram formadas durante um período extremamente violento chamado Late Heavy Bombardment, quando planetas e luas sofriam impactos constantes de asteroides.

Uma das estruturas mais impressionantes dessa região é o Mare Orientale, uma enorme cratera com cerca de 930 quilômetros de largura.

Outra área que desperta muito interesse é a gigantesca South Pole-Aitken Basin, uma bacia de impacto com aproximadamente 2.500 quilômetros de diâmetro e idade estimada em mais de 4 bilhões de anos.

Estudar o lado oculto da lua é como abrir um arquivo geológico que ficou preservado por bilhões de anos.

Estudar o lado oculto da lua é como abrir um arquivo geológico que ficou preservado por bilhões de anos.

Estudar o lado oculto da lua é como abrir um arquivo geológico que ficou preservado por bilhões de anos

Quais missões já estudaram essa região?

A exploração do lado oculto da lua avançou bastante nas últimas décadas.

Depois das primeiras fotos da sonda Luna 3, outros países passaram a investir em missões específicas para estudar essa área.

A China teve destaque nos últimos anos com a missão Chang’e 4, que em 2019 se tornou a primeira a pousar no lado oculto da lua.

Mais recentemente, a missão Chang’e 6 trouxe amostras de solo dessa região para a Terra, permitindo que cientistas analisassem rochas antigas e investigassem a origem da Lua.

As primeiras análises indicam que algumas dessas rochas possuem características parecidas com materiais encontrados no lado visível.

Isso reforça a hipótese de que a Lua pode ter tido, no passado distante, grandes oceanos de lava cobrindo boa parte da superfície.

Por que estudar o lado oculto da lua é tão difícil?

Explorar essa região não é simples.

Quando uma nave passa atrás da Lua, o próprio satélite bloqueia os sinais de rádio enviados pela Terra. Isso provoca um apagão temporário nas comunicações.

Durante esse período, os astronautas e equipamentos precisam operar de forma autônoma, sem receber instruções em tempo real.

Na missão Artemis II, por exemplo, houve cerca de 40 minutos sem comunicação enquanto a nave passava pelo lado oculto da lua.

Mesmo assim, essa dificuldade não diminui o interesse dos cientistas. Pelo contrário.

Cada nova missão ajuda a revelar detalhes de uma das regiões mais misteriosas e fascinantes do espaço próximo à Terra.

Reportar um erro

Encontrou um erro neste conteúdo? Descreva o problema abaixo e nossa equipe verificará.

Reportar-erro

Compartilhar

Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

Saiba mais

Veja também