Em meio a discursos, encontros reservados e corredores cheios de tensão diplomática, o Fórum Econômico Mundial de Davos foi palco de mais um anúncio capaz de mexer com o tabuleiro global. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou ao mundo o chamado Conselho da Paz, uma iniciativa que promete atuar diretamente na resolução de conflitos internacionais.
A proposta, lançada no dia 22 de janeiro, nasceu grande e polêmica. Mais de 20 países já aceitaram o convite para integrar o grupo. Outros recusaram de forma explícita. E um terceiro bloco, composto por potências globais e atores estratégicos, ainda prefere observar antes de tomar posição.
“A ideia de um conselho paralelo para resolver conflitos globais levanta uma pergunta inevitável: cooperação internacional ou competição institucional?”
O que é o Conselho de Paz de Trump?
Segundo Trump, o Conselho da Paz teria como missão inicial atuar na busca por soluções para o conflito na Faixa de Gaza, com possibilidade de expansão para outras regiões do mundo. O grupo reuniria líderes nacionais convidados diretamente pela Casa Branca, fora das estruturas tradicionais da diplomacia internacional.
Durante o anúncio, Trump descreveu o conselho como um espaço formado por “líderes muito populares” e, em alguns casos, “nem tão populares assim”, comentário que arrancou risos da plateia em Davos, mas também acendeu alertas em bastidores diplomáticos.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que vários países demonstraram interesse, mas ainda precisam de aprovação parlamentar para formalizar a adesão.
Quem já aceitou participar do Conselho de Paz?
A adesão mais rápida veio, em grande parte, de países do Oriente Médio, da Ásia Central e de aliados estratégicos dos Estados Unidos. Até o momento, aceitaram integrar o conselho:
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Albânia
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Argentina
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Arábia Saudita
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Armênia
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Azerbaijão
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Bahrein
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Bulgária
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Catar
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Cazaquistão
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Egito
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Emirados Árabes Unidos
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Hungria
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Indonésia
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Israel
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Jordânia
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Kosovo
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Marrocos
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Mongólia
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Paquistão
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Turquia
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Uzbequistão
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Vietnã
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Bielorrússia
A presença de países diretamente envolvidos em conflitos regionais reforça o caráter prático que Trump deseja imprimir à iniciativa.
Quais países recusaram o convite?
Algumas das recusas mais significativas vieram da Europa Ocidental e do Norte, regiões tradicionalmente alinhadas à defesa de organismos multilaterais como a ONU.
Até agora, disseram não ao Conselho de Paz:
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França
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Reino Unido
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Noruega
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Suécia
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Eslovênia
Autoridades francesas deixaram claro que apoiam iniciativas de paz, especialmente no Oriente Médio, mas demonstraram preocupação com a possibilidade de o conselho enfraquecer ou substituir o papel da ONU.
A Noruega e a Suécia seguiram a mesma linha, indicando receio quanto à criação de um fórum paralelo de resolução de conflitos.
Quem ainda não respondeu e por quê?
O grupo que ainda não se posicionou chama atenção por reunir algumas das principais potências globais. Entre os países que seguem em silêncio ou em fase de avaliação estão:
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Alemanha
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Brasil
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Canadá
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China
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Chipre
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Croácia
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Espanha
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Grécia
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Índia
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Itália
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Paraguai
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Rússia
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Singapura
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Tailândia
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Ucrânia
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União Europeia
Esse grupo concentra atores centrais da economia mundial, da diplomacia multilateral e de conflitos em andamento, o que torna a decisão especialmente sensível.
O caso do Brasil e a cautela diplomática
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi oficialmente convidado a integrar o conselho. Trump chegou a afirmar que o Brasil poderia desempenhar um “grande papel” dentro da iniciativa.
O governo brasileiro confirmou o convite, mas adotou postura cautelosa. Segundo interlocutores, Lula prefere avaliar o contexto geopolítico, o alcance real do conselho e suas possíveis consequências antes de assumir qualquer compromisso.
Essa cautela reflete a tradição diplomática brasileira de priorizar soluções multilaterais e evitar alinhamentos que possam gerar atritos com organismos internacionais consolidados.
Putin, Vaticano e o peso simbólico do convite
Trump também convidou o presidente russo, Vladimir Putin. O Kremlin confirmou o convite, mas afirmou que Moscou ainda consulta seus parceiros estratégicos antes de tomar uma decisão definitiva.
Outro nome que chamou atenção foi o do papa Leão XIV. O convite ao líder da Igreja Católica foi anunciado pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, adicionando um forte peso simbólico à proposta.
“Quando líderes políticos, potências militares e figuras religiosas são convidados para a mesma mesa, o impacto político vai muito além da diplomacia tradicional.”
Um conselho de paz ou um novo centro de poder?
A principal crítica ao Conselho de Paz de Trump não está na intenção declarada de buscar soluções para conflitos, mas na forma. Ao operar fora das estruturas da ONU, a iniciativa levanta dúvidas sobre legitimidade, representatividade e equilíbrio institucional.
Para alguns países, trata-se de uma tentativa pragmática de destravar negociações travadas há anos. Para outros, é um movimento que pode fragmentar ainda mais a governança global.
A resposta definitiva ainda está em construção, e as próximas semanas devem revelar se o conselho ganhará força real ou permanecerá como mais um experimento político de alto impacto retórico.