O que é Kratom? Conheça a planta natural milagrosa e perigosa

O que é Kratom? Conheça a planta natural milagrosa e perigosa

Descubra os segredos e riscos da planta exótica ligada a dependência, overdose e debates sobre saúde pública.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou entrar em uma loja de produtos naturais, olhar para prateleiras cheias de suplementos e dar de cara com o kratom. A promessa parece tentadora: mais energia, menos dor, e tudo "de forma natural". Mas será que está tudo tão seguro assim? Nos Estados Unidos, essa planta se tornou protagonista de uma polêmica que não para de crescer, e a história não é nada leve.

Kratom: O parente controverso do café

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Folhas de Kratom

 

O kratom, uma planta da família do café, originária do Sudeste Asiático, parece inofensivo à primeira vista. Por séculos, populações da Tailândia e países vizinhos mastigaram as folhas ou prepararam chás para aguentar o trabalho intenso e controlar dores físicas. Mas, nos últimos vinte anos, o kratom desembarcou nos EUA com promessas ainda maiores.

Hoje, ele é vendido em cápsulas, chás e pós, no circuito dos suplementos “alternativos”. A fama se espalhou rápido entre quem busca alívio para dor crônica, ansiedade e sintomas de abstinência de opioides, como OxyContin e Percocet. Só que a popularidade veio acompanhada de um alerta vermelho.

A ascensão do risco: Entre mitos e evidências

De acordo com dados oficiais, entre julho de 2016 e dezembro de 2017, foram registrados 91 casos de morte diretamente ligados ao uso de kratom nos Estados Unidos. Além disso, a substância apareceu combinada a outras drogas em quase metade dessas ocorrências. Apesar de representar apenas 1% das mortes por overdose, o crescimento dos casos preocupa autoridades porque revela o potencial viciante e perigoso da planta.

“O kratom pode parecer natural e inofensivo, mas tem potencial de dependência semelhante ao dos opioides.”

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças analisou mais de 27 mil situações de overdose em 27 estados americanos. 80% das mortes em que o kratom apareceu envolviam pessoas com histórico de abuso de substâncias, e 90% não recebiam acompanhamento médico de dor. Ou seja, o consumo é majoritariamente autônomo, sem supervisão profissional.

Kratom: O perigo mascarado de “natural”

O que torna o kratom tão especial, e tão arriscado, é sua ação no cérebro. Seu composto principal, mitragynina, pode gerar excitação ou alívio de dor, dependendo da dose. Em pequenas quantidades, atua como aquele café turbinado que muitos adoram; em doses maiores, os efeitos lembram narcóticos como a morfina. Não à toa, a DEA (agência antidrogas dos EUA) já classificou o kratom ao lado de LSD, heroína e ecstasy em 2016.

Estudos sugerem que cerca de metade dos usuários pode se tornar dependente. E os sintomas de abstinência são intensos: ansiedade, insônia, vômitos, irritabilidade, fadiga, fora riscos sérios como lesão no fígado, coma, convulsão e até morte, especialmente quando misturado a álcool, medicamentos ou outras substâncias.

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Kratom em pó

 

Debate: Herói ou vilão na luta contra opioides?

Em meio à crise dos opioides nos EUA, muitos apoiadores defendem o kratom como alternativa menos nociva, uma espécie de "folha milagrosa" para tratar dor e desintoxicação. Há relatos de consumidores que deixaram a heroína ou álcool com a ajuda do kratom, usando suas propriedades analgésicas para suportar a abstinência.

Por outro lado, a FDA (agência reguladora americana) alerta: não há evidências suficientes sobre a segurança e eficácia do kratom, e ele não deve ser usado para tratar nenhuma condição médica. Pior: como o suplemento não é regulamentado, sua pureza e potência variam muito de fabricante para fabricante, e você nunca sabe exatamente o que está consumindo.

Efeitos: Nem tudo é o que parece

Se por um lado o kratom pode trazer euforia, sensação de bem-estar e alívio da dor, por outro, os efeitos negativos não são raros. Entre eles estão:

  • Náusea, vômitos e dores de estômago

  • Calafrios, suores e tontura

  • Coceira e sensação de embriaguez

  • Constipação e sonolência

  • Em casos graves, dano hepático, convulsão e risco de vida

“Entre folhas, mitos e verdades, o kratom revela como nem tudo que é natural é 100% seguro.”

Alternativas seguras para dor, ansiedade e energia

Se o objetivo é viver com menos dor, mais energia ou menos ansiedade, não faltam caminhos mais saudáveis para trilhar:

  • Para dor: cúrcuma, fisioterapia, CBD de procedência reconhecida, compressas de gelo ou calor, massagem e acupuntura.

  • Para ansiedade: meditação, ioga, terapia cognitiva, música e redução da exposição à luz azul.

  • Para energia: chá verde, movimento diário, sono regular e hidratação.

Antes de apostar em soluções exóticas, converse com um especialista. O segredo para vencer o cansaço ou a dor está em práticas consistentes e seguras, e não em promessas do universo “natural” que podem sair caro.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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