Você provavelmente conhece alguém que ficou gripado nas últimas semanas. Febre alta, dores no corpo, tosse intensa e cansaço fora do normal. Em muitos casos, o que parece apenas uma gripe forte pode esconder algo bem mais preocupante: a chamada supergripe.
O Brasil registrou um aumento expressivo nas mortes relacionadas à Influenza A, vírus que costuma estar por trás da supergripe. Segundo dados divulgados pela Fundação Oswaldo Cruz, as mortes associadas ao vírus cresceram 36,9% nas últimas quatro semanas epidemiológicas. O avanço também acompanha o aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, conhecida como SRAG.
O crescimento preocupa porque a maioria dos estados brasileiros já apresenta sinais de alerta, risco ou alto risco para doenças respiratórias. Regiões do Nordeste, Sudeste, Norte e Centro-Oeste mostram crescimento nos registros positivos ligados à Influenza A, enquanto apenas alguns estados, como Pará, Ceará e Pernambuco, apresentam sinais de desaceleração.

O crescimento preocupa porque a maioria dos estados brasileiros já apresenta sinais de alerta
O que é a supergripe?
A supergripe é uma forma popular de se referir aos quadros mais graves causados pela Influenza A. Diferente de uma gripe comum, ela costuma provocar sintomas mais intensos e aumentar significativamente o risco de complicações, especialmente entre idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
Entre os sintomas mais comuns estão febre alta, tosse persistente, falta de ar, dores no corpo, cansaço extremo e, em alguns casos, pneumonia e insuficiência respiratória.
O termo supergripe se popularizou justamente porque muitos pacientes relatam sentir uma intensidade muito maior nos sintomas em comparação com gripes tradicionais. Em alguns casos, a doença evolui rapidamente e exige internação hospitalar.
A supergripe não é apenas uma gripe mais forte. Em pessoas vulneráveis, ela pode evoluir rapidamente para quadros graves e até fatais.
Além da Influenza A, outros vírus respiratórios também têm preocupado especialistas. Nas últimas semanas, houve aumento de 30% nas mortes associadas ao rinovírus e de 25,6% nas mortes ligadas à Covid-19.
Por que a supergripe está aumentando no Brasil?
O aumento da supergripe está ligado a uma combinação de fatores. Um deles é a maior circulação de vírus respiratórios nesta época do ano, especialmente com a chegada do outono e a aproximação do inverno.
Com temperaturas mais baixas, as pessoas tendem a ficar mais tempo em ambientes fechados, com pouca ventilação. Isso facilita a transmissão de vírus respiratórios, como Influenza A, Covid-19, rinovírus e vírus sincicial respiratório.
Outro fator importante é a baixa adesão à vacinação. Muitas pessoas ainda deixam de tomar a vacina da gripe todos os anos, acreditando que ela não é necessária ou que oferece pouca proteção. No entanto, especialistas reforçam que a vacinação continua sendo a principal forma de reduzir casos graves e mortes.
Segundo o boletim da Fiocruz, entre os casos positivos de SRAG registrados recentemente, o rinovírus lidera com 45,3%, seguido pela Influenza A com 27,4%, vírus sincicial respiratório com 17,7%, Covid-19 com 7,3% e Influenza B com 1,5%.

Em períodos de alta circulação de vírus, uma simples febre acompanhada de falta de ar nunca deve ser ignorada
Quem deve se preocupar mais com a supergripe?
Embora qualquer pessoa possa desenvolver sintomas graves, alguns grupos precisam ter atenção redobrada. Idosos, crianças pequenas, gestantes, pessoas com doenças respiratórias, diabéticos, cardíacos e pacientes imunossuprimidos estão entre os mais vulneráveis.
Profissionais da saúde e da educação também entram no grupo de maior exposição, já que costumam ter contato diário com muitas pessoas.
Em períodos de alta circulação de vírus, uma simples febre acompanhada de falta de ar nunca deve ser ignorada.
Especialistas alertam que sintomas persistentes, como dificuldade para respirar, chiado no peito, febre que não melhora e cansaço excessivo, podem indicar que a doença está evoluindo para um quadro mais grave.
Como se proteger da supergripe?
A principal recomendação continua sendo a vacinação. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começou em 28 de março e segue até 30 de maio em todo o país.
A vacina é especialmente importante para os grupos prioritários, já que ajuda a reduzir o risco de internações e mortes. Além disso, outras medidas simples continuam sendo eficazes, como lavar as mãos com frequência, evitar locais fechados e cheios, manter ambientes ventilados e usar máscara caso esteja com sintomas gripais.
Para gestantes a partir da 28ª semana, especialistas também recomendam a vacina contra o vírus sincicial respiratório, que ajuda a proteger o bebê desde o nascimento.
O aumento da supergripe mostra que os vírus respiratórios continuam circulando com força no Brasil. E embora muita gente ainda trate a gripe como algo simples, os números recentes indicam que, em alguns casos, ela pode ser bem mais perigosa do que parece.