Morreu líder indígena que estampou nota de mil cruzeiros

Morreu líder indígena que estampou nota de mil cruzeiros

A líder Karajá que se tornou símbolo no dinheiro nacional.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou ter seu rosto estampado em uma cédula que circulou por todo o país? Essa foi a história de Jijukè, uma líder indígena do povo Karajá, que viveu até os 100 anos e se tornou símbolo de resistência e identidade cultural.

Em 1990, ela estampou o verso da nota de mil cruzeiros, a primeira cédula brasileira a homenagear povos indígenas. Na imagem, registrada pelo fotógrafo José Américo Peret, ela aparece ao lado de sua companheira Koixaru Karajá. Apenas 5 milhões dessas notas foram produzidas, tornando-se raridade entre colecionadores e objeto de desejo para quem valoriza a memória nacional.

Quem foi Jijukè e seu povo

Nascida em 16 de janeiro de 1925, Jijukè pertencia ao povo Karajá, também conhecidos como Iny, palavra que significa “nós mesmos” na língua tradicional. 
Esse povo habita as margens do rio Araguaia e suas aldeias se espalham por Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Pará. Os Karajá são conhecidos por suas tradições, como a confecção de bonecas de cerâmica, a pintura corporal e rituais que atravessam gerações.

Mais do que uma nota, um símbolo de identidade

A nota de mil cruzeiros não foi apenas um meio de pagamento, mas um marco histórico. Foi a primeira vez que o dinheiro brasileiro reconheceu oficialmente a importância dos povos originários na formação do país. Em uma época em que as representações indígenas eram raras nos meios oficiais, a imagem de Jijukè foi um gesto de visibilidade e respeito cultural.

A líder indígena Jijukè morreu aos 100 anos na segunda-feira (11/8). Ela ficou conhecida por estampar o verso da nota de mil cruzeiros lançada em 1990, a primeira cédula brasileira a homenagear povos indígenas do Brasil. Jijukè era do povo Karajá e da aldeia Hãwalo, em Santa Isabel do Morro (TO). A causa da morte não foi divulgada.

Curiosidades que poucos conhecem

  • A tiragem limitada fez a nota se tornar um item valioso. Hoje, em bom estado, ela pode alcançar preços altos em feiras de numismática.

  • O povo Karajá possui um idioma próprio, que está na lista das línguas ameaçadas de extinção no Brasil.

  • O rio Araguaia, lar dos Karajá, é considerado um dos mais importantes corredores ecológicos do Cerrado brasileiro.

  • As bonecas Karajá, conhecidas como ritxoko, foram declaradas Patrimônio Cultural do Brasil pelo IPHAN.

A história de Jijukè mostra que símbolos podem atravessar o tempo. Mesmo sem mais circular no bolso das pessoas, sua imagem segue viva na memória de um Brasil que ainda tem muito a aprender com seus povos originários.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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