Carolina nasceu em 14 de março de 1914, em Sacramento, no interior de Minas Gerais. Filha de pais analfabetos, cresceu em uma comunidade rural e enfrentou uma infância marcada por pobreza, violência e exclusão. Mas, aos sete anos, algo mudou seu destino para sempre: ela conseguiu frequentar a escola. Em pouco tempo, aprendeu a ler e escrever — e se apaixonou pelas palavras.
Em 1937, depois da morte da mãe, Carolina se mudou para São Paulo. Anos depois, grávida e desempregada, foi morar na favela do Canindé, às margens do Rio Tietê. Ali, sobrevivendo como catadora de papel, ela fazia algo que ninguém imaginava: registrava o cotidiano da favela em cadernos que também encontrava no lixo.