Lua em Processo de Encolhimento Pode Pôr em Risco Missões Espaciais

Lua em Processo de Encolhimento Pode Pôr em Risco Missões Espaciais

Geólogos advertem sobre riscos de terremotos lunares à medida que exploramos a Lua em missões como a Artemis 3, destacando a necessidade de preparação cuidadosa.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Enquanto nos preparamos para os próximos passos na exploração lunar, uma preocupação surge: nossos astronautas podem estar em risco de terremotos lunares. Imagine caminhar na superfície lunar e de repente sentir o chão tremer sob seus pés. Parece coisa de filme, mas os cientistas alertam que é uma possibilidade real.

Os geólogos estão nos dizendo que, ao escolher os locais de pouso para missões como a Artemis 3, não é suficiente considerar apenas a topografia ou a presença de água no subsolo. Agora, temos que levar em conta os terremotos e deslizamentos do solo lunar.

Terremotos Persistentes

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A região polar sul da lua está no foco desse alerta. Planejada para ser o local de pouso da Artemis 3 em 2026, essa área já testemunhou um terremoto lunar significativo há cerca de 50 anos. Missões Apollo anteriores, precavidas, levaram sismógrafos, e em março de 1973, um forte terremoto lunar foi registrado na direção do polo sul lunar.

Décadas depois, a Lunar Reconnaissance Orbiter sobrevoou a área e identificou uma rede de falhas geológicas, conectando-as ao terremoto lunar anterior. A mensagem é clara: a lua não é tão pacífica quanto pensamos.

Resfriamento Endógeno

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Como a Lua vem encolhendo nos últimos milhões de anos, sua superfície vai gerando falhas. Assim como uma uva se enrugando para se tornar uma passa, a Lua desenvolve falhas na superfície à medida que seu núcleo esfria. Essas falhas resultam nos terremotos lunares.

A causa desse fenômeno dos terremotos está no encolhimento contínuo da Lua ao longo de centenas de milhões de anos, retração essa causada pelo resfriamento do nosso satélite natural.

Preparação para o Desconhecido
A superfície lunar, diferente da superfície terrestre, é frágil e composta por partículas soltas que podem ser facilmente deslocadas quando há impactos. Isso torna os terremotos lunares ainda mais propensos a desencadear deslizamentos de terra em comparação com os terremotos terrestres.

Soma-se a isso o fato que a duração dos terremotos lunares são bem maiores do que os ocorridos aqui na Terra. Se os nossos fenômenos, que duram apenas alguns segundos, já causam estragos imensos, imagine os da Lua, que podem durar várias horas.

Assim, uma "simples" caminhada lunar pode ser uma dor de cabeça imensa para os futuros astronautas. Os cientistas alertam especialmente para a vulnerabilidade das paredes da cratera Shackleton, conhecida por sua presença de gelo lunar.

Nicholas Schmerr, um dos geólogos envolvidos na pesquisa, destaca a importância de preparar nossos exploradores lunares para terrenos potencialmente instáveis. Dessa maneira, precisamos de estruturas de engenharia robustas para resistir à atividade sísmica lunar ou, alternativamente, de planos para evitar áreas de alto risco.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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