França quer construir uma prisão de segurança máxima na Amazônia

França quer construir uma prisão de segurança máxima na Amazônia

Uma prisão inspirada no regime antimáfia será construída na Guiana Francesa, com vigilância total e isolamento extremo — mas o anúncio revoltou moradores locais. Descubra o porquê!


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou uma prisão tão isolada que os mosquitos podem ser os únicos visitantes permitidos? Pois é exatamente isso que a França está planejando: uma superprisão de segurança máxima, inspirada nas duras leis antimáfia italianas, no meio da Amazônia… mas não no Brasil, e sim na Guiana Francesa, território ultramarino francês bem ali na nossa fronteira!

A ideia do governo francês é construir essa unidade de segurança máxima em Saint-Laurent-du-Maroni, com inauguração prevista para 2028. O local? Um município cercado pela selva amazônica e com um histórico penal pesado. A construção é uma resposta ao aumento da criminalidade e da superlotação carcerária na região — mas não é só isso.

Prisioneiros radicais e traficantes isolados do mundo

O projeto inclui um anexo especial para criminosos de altíssimo risco, com 60 vagas, das quais 15 serão exclusivas para presos condenados por radicalismo islâmico. Os outros serão, em sua maioria, chefões do tráfico internacional.

Essa nova ala será equipada com o que há de mais avançado (e restritivo) em segurança:

  • Isolamento rigoroso 24 horas por dia

  • Visitas quase inexistentes

  • Monitoramento eletrônico constante

  • Bloqueadores de celular e até de drones

A inspiração veio do rígido modelo italiano antimáfia, onde os criminosos são completamente separados de suas redes. E segundo o governo francês, o isolamento geográfico da floresta amazônica será uma aliada nesse plano: quanto mais longe do mundo exterior, melhor.

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Vista aérea do projeto da prisão

 

A prisão na selva é mais que simbólica: ela tem história

Aqui vai uma curiosidade que parece ter saído direto de um filme: Saint-Laurent-du-Maroni já foi palco de um dos mais famosos campos penais da história, a colônia penal onde funcionava o notório Campo de Saint-Laurent, que recebia presos políticos franceses e criminosos comuns durante mais de um século.

Foi de lá que partiam os condenados rumo à temida Ilha do Diabo, uma das prisões mais brutais do planeta — imortalizada no livro e nos filmes Papillon. Agora, mais de 70 anos após o fim da colônia penal, a França volta a investir em prisões na mesma região. Coincidência ou não, o simbolismo é forte.

Guiana Francesa: da selva ao superencarceramento?

Apesar do projeto parecer ambicioso e até cinematográfico, a repercussão local foi explosiva. As autoridades e moradores da Guiana Francesa estão revoltados. Isso porque, segundo eles, o governo não consultou ninguém antes de anunciar que traria prisioneiros perigosíssimos para o território ultramarino.

Jean-Paul Fereira, presidente interino da coletividade local, classificou a decisão como um “desrespeito” com a história e os moradores da região. Já o deputado Jean-Victor Castor foi mais direto: chamou a decisão de “provocação colonial”.

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Vista interna do projeto da prisão

Você sabia?

  • A Guiana Francesa tem o maior índice de homicídios de todo o território francês, proporcionalmente. Em 2023, foram 20,6 assassinatos a cada 100 mil habitantes, quase 14 vezes a média da França continental.

  • O local escolhido para a prisão, Saint-Laurent-du-Maroni, é também uma rota usada por traficantes para enviar drogas para Paris, muitas vezes por passageiros que engolem cápsulas de cocaína.

  • A construção da nova prisão está estimada em milhões de euros, e a estrutura deve ocupar uma vasta área no meio da floresta tropical, o que levanta preocupações ambientais.

Prisão ou exílio moderno?

A ideia de usar o meio da selva amazônica como um "cofre de segurança máxima" para criminosos de alta periculosidade pode até parecer lógica no papel. Mas, ao mesmo tempo, levanta questões delicadas:
Será que a Guiana Francesa está sendo usada como depósito para os “problemas” da França continental?
Qual o impacto para a população local e para o ecossistema?

Já imaginou viver ao lado de uma prisão para supercriminosos no meio da Amazônia? Essa história ainda vai render muito pano pra manga…

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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