Esquilo

Esquilos estão “fumando” vapes perdidos?

O descarte incorreto de cigarros eletrônicos criou um novo e bizarro perigo para a vida selvagem, atraindo animais com seus aromas frutados.


Luigi Viana
Por Luigi Viana

Um Novo Tipo de Noz?

Imagine a cena: você está caminhando tranquilamente por uma rua arborizada, olha para uma cerca e nota um dos simpáticos esquilos da região segurando algo brilhante entre as patas. Mas, em vez de uma noz ou de uma semente, o pequeno roedor está roendo um cigarro eletrônico colorido. Parece o enredo de uma comédia distópica, não é? Pois foi exatamente isso que um vídeo viral recente, gravado no sul de Londres, revelou ao mundo.

A febre dos cigarros eletrônicos, popularmente conhecidos como vapes, tornou-se tão generalizada que agora até a vida selvagem está pagando o preço pelo nosso lixo. O registro bizarro do roedor segurando o dispositivo como se fosse um lanche chocou a internet e levantou uma questão alarmante: será que os esquilos estão desenvolvendo um vício digital?

A Ilusão do Cheirinho de Fruta

Antes de imaginarmos esquilos sofrendo com crises de abstinência, os biólogos têm uma explicação muito mais simples e curiosa para esse comportamento. A atração não se dá pela nicotina, mas sim pelo cheiro doce e artificial que esses aparelhos emitem.

Diferente dos velhos cigarros de papel, que cheiram a fumaça e fuligem, os vapes modernos são carregados de essências de morango, melancia e outras frutas. Para o faro apurado dos esquilos, aquilo se disfarça perfeitamente como um banquete esquecido na calçada.

“Antigamente, víamos muitas bitucas de cigarro descartadas, mas não me lembro de esquilos correndo com elas por aí. É razoável supor que um vape seja mais atraente do que um produto de tabaco normal que não é frutado”, explicou Craig Shuttleworth, especialista nesses animais na Universidade de Bangor, no País de Gales.

O Perigo Oculto no Plástico

Embora a imagem possa render um riso inicial nas redes sociais, a realidade por trás dos esquilos “fumantes” é bastante sombria. Ao morderem as carcaças plásticas na tentativa de extrair o “suco” prometido pelo aroma, os esquilos correm riscos letais.

Além de engolirem fragmentos cortantes e microplásticos, esses animais podem acabar ingerindo os resíduos líquidos de nicotina. Na natureza, os esquilos não têm nenhum contato com essa substância química pesada, e uma pequena dose pode ser fatal para um organismo tão pequeno e frágil.

Uma Crise Ambiental Silenciosa

O flagrante londrino com os esquilos é apenas a ponta do iceberg de uma crise ambiental crescente. A Sociedade Real para a Prevenção da Crueldade contra os Animais (RSPCA) emitiu alertas duros sobre como o lixo eletrônico humano está invadindo os habitats naturais.

Para se ter uma ideia do desastre, antes de algumas proibições locais entrarem em vigor, estimava-se que cinco milhões de vapes descartáveis eram jogados fora semanalmente apenas no Reino Unido. E o estrago vai muito além dos esquilos.

Esquilos fumando vapes no lixo

Esquilos fumando vapes no lixo

“Sabemos que isso será apenas a ponta do iceberg, já que muitas baixas causadas pelo lixo passam despercebidas e não são relatadas, principalmente na vida selvagem”, lamentou Evie Button, oficial científica da RSPCA.

Relatórios assustadores indicam que uma ave na Nova Zelândia morreu após engolir peças de um vape, e já houve registros de outros esquilos tentando enterrar os aparelhos no solo, como se fossem reservas de comida para o inverno. Animais de estimação também estão na linha de frente: desde 2017, centenas de chamadas de emergência veterinária envolveram pets (em sua esmagadora maioria, cães) intoxicados gravemente por esses líquidos.

Seja provocando sérios danos pulmonares em humanos ou enganando esquilos famintos nas cidades, o descarte irresponsável prova que a nossa fumaça tecnológica com cheiro de morango está deixando um rastro extremamente tóxico para o planeta.

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Sobre o autor

Luigi Viana

Luigi é criador de conteúdo e escreve sobre estética clássica, filosofia e o impacto da tecnologia digital na cultura contemporânea.

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