Por muitos anos, a ideia de um vulcão adormecido em Caldas Novas, Goiás, intrigou turistas e moradores. A cidade é famosa por suas águas termais, o que levou muitos a acreditarem que essas nascentes quentes se originavam de atividades vulcânicas. No entanto, essa história não passa de um mito.
A formação da Serra de Caldas, que se assemelha ao formato de um vulcão, contribuiu para essa confusão. Mas, de acordo com estudos geológicos, a região passou por processos de sedimentação e transformações tectônicas ao longo de bilhões de anos, resultando na atual paisagem, sem qualquer ligação com vulcanismo.
As águas quentes de Caldas Novas têm uma origem muito mais complexa e interessante. Ao longo de milhares de anos, movimentos tectônicos criaram fissuras profundas no solo da região, algumas com mais de 1.000 metros de profundidade. Essas fendas permitem que a água da superfície infiltre-se e seja aquecida enquanto desce, a uma taxa de 1ºC a cada 33 metros.
Essas águas, ao passar por camadas subterrâneas ricas em minerais, são aquecidas naturalmente e emergem na superfície com temperaturas que variam entre 38ºC e 44ºC. Estudos mostram que essas águas têm mais de mil anos e possuem propriedades minerais terapêuticas, tornando Caldas Novas um destino conhecido por suas propriedades curativas.
Preservação e desafios
A preservação dessa riqueza natural é crucial. O Parque Estadual Serra de Caldas foi criado em 1970 para proteger os lençóis freáticos que alimentam as fontes termais. Hoje, a renovação dos níveis de água é monitorada de perto, com medidas para evitar a sobreexploração desse recurso. A urbanização e mudanças climáticas representam desafios, e esforços de preservação são fundamentais para garantir a sustentabilidade das águas termais de Caldas Novas para as futuras gerações.