Já imaginou visitar um lugar onde o cheiro de chocolate se mistura com a adrenalina de uma montanha russa gigante? No interior de São Paulo, essa cena começa a ganhar forma como se fosse tirada de um filme, mas com sabor bem brasileiro. É o Cacau Park, o megaprojeto que promete transformar a forma como o Brasil encara parques temáticos.
Muito antes de erguer trilhos metálicos que chegam a tocar o céu, a Cacau Show já havia conquistado milhões de brasileiros com chocolates e memórias afetivas. Agora, a empresa se prepara para um salto ainda maior: levar a marca para o território da experiência e da fantasia.
O plano de transformar o cacau em diversão
Com investimento estimado em 2 bilhões de reais, o Cacau Park nasce entre Itu e Sorocaba, a cerca de cem quilômetros da capital paulista. O objetivo é ousado, atrair milhões de visitantes por ano e entrar de vez no mercado de entretenimento, setor que movimenta mais de 8 bilhões de reais apenas no Brasil.
A ambição é clara. Criar, para o público brasileiro, algo que remeta à grandiosidade dos grandes parques internacionais. Como apenas 3 por cento dos brasileiros têm condições de viajar ao exterior para visitar parques famosos, a ideia é entregar uma alternativa nacional mais acessível e igualmente encantadora.
"Teremos uma tarifa social para levar o maior número de pessoas ao parque", diz o fundador Alexandre Costa.
A montanha russa que virou símbolo
O coração do Cacau Park pulsa forte. A maior e mais rápida montanha russa da América Latina já se tornou o cartão de visitas do projeto. Com 55 metros de altura e velocidade que atinge 120 quilômetros por hora em apenas cinco segundos, o percurso de um quilômetro promete arrepiar qualquer visitante.
Além dela, o parque terá mais de cinquenta atrações distribuídas em diferentes áreas temáticas. O complexo ainda incluirá um shopping a céu aberto, restaurantes e dois hotéis com mais de mil quartos no total.
Uma viagem por mundos imaginados
O Cacau Park foi pensado como um espaço onde cada área conta uma história, criando uma experiência contínua. Entre os destaques estão:
• City Walk, uma entrada oficial inspirada em boulevards internacionais.
• Fábrica Show, que mistura narrativas, máquinas e a história do chocolate.
• Vila la Creme, dedicada à trajetória do fundador com referências ao início da marca.
• A Floresta do Cacau, com trilhas, criaturas encantadas e atmosfera imersiva.
• Aventura Maia, com templos, pirâmides e atrações radicais.
A previsão de inauguração é para 2027, com expectativa de receber cerca de 3 milhões de visitantes por ano. E o projeto só começou. A companhia já adquiriu um terreno gigantesco com potencial para expansões e novos parques.
A jornada de quem transformou trufas em império
A história do Cacau Park só faz sentido quando se olha para o passado de Alê Costa. Ele cresceu acompanhando a mãe vender chocolates por catálogo e, com apenas 17 anos, decidiu seguir o mesmo caminho. Depois de um fornecedor falhar com um pedido de dois mil ovos de Páscoa, ele mesmo fabricou os chocolates e entregou tudo de Fusca.
Esse improviso virou o ponto de partida para uma marca que hoje soma quase cinco mil lojas e faturamento bilionário. Para Alê, a experiência sempre foi o ingrediente secreto.
O consumo que virou experiência
Nos últimos anos, a Cacau Show investiu em megastores, cafeterias temáticas e até hotéis que exploram o universo do cacau. O Cacau Park leva essa visão ao extremo. É varejo, turismo, gastronomia, memória afetiva e adrenalina ao mesmo tempo.
O movimento não é isolado. No mundo, marcas como Ferrari, Prada, Bvlgari e até outras fabricantes de chocolate investem em parques ou hotéis temáticos para ampliar presença e fortalecer identidade.
"Poucas marcas conseguem unir produto, storytelling e experiência", explica o consultor Eduardo Terra.
Os desafios no caminho
O Brasil tem um histórico instável no setor de parques. Grandes sucessos convivem com projetos que não resistiram ao tempo. E manter um parque desse porte exige reinvestimentos constantes, novidades e preços acessíveis ao público.
A proposta do Cacau Park é ousada, mas também estratégica. Unir tradição, criatividade, memória afetiva e uma pitada de fantasia pode colocar o Brasil no mapa dos grandes parques temáticos do mundo.
A pergunta que fica é simples e poderosa.
Será que o Cacau Park pode se tornar a Disney brasileira?