IBGE alerta para dados sobre saúde mental de adolescentes

IBGE alerta para dados sobre saúde mental de adolescentes

Pesquisa do IBGE revela tristeza, irritação e solidão. Por que tantos adolescentes estão sofrendo em silêncio?


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Em muitas casas, a cena parece comum: um adolescente trancado no quarto, mexendo no celular, mais calado do que o normal, irritado, cansado ou distante. Muitas vezes, isso é interpretado apenas como “coisa da idade”. Mas os números mais recentes mostram que o problema pode ser bem mais profundo.

A saúde mental de adolescentes no Brasil está em um momento preocupante. Uma pesquisa do IBGE com quase 120 mil estudantes de escolas públicas e privadas revelou que três em cada dez adolescentes dizem se sentir tristes sempre ou na maior parte do tempo.

Mais do que isso, quase a mesma proporção afirmou já ter tido vontade de se machucar de propósito.

A saúde mental de adolescentes no Brasil está em um momento preocupante

A saúde mental de adolescentes no Brasil está em um momento preocupante

O que está acontecendo com a saúde mental de adolescentes?

Os dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar mostram um cenário de sofrimento emocional que vai muito além da tristeza passageira.

Entre os estudantes de 13 a 17 anos, 42,9% afirmaram que se sentem irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer motivo. Já 18,5% disseram que pensam frequentemente que a vida não vale a pena ser vivida.

Esses números revelam que a saúde mental de adolescentes se tornou uma questão urgente de saúde pública. Afinal, não se trata de casos isolados. Estamos falando de milhões de jovens convivendo diariamente com ansiedade, tristeza, sensação de abandono e sofrimento emocional.

Meninas enfrentam cenário ainda mais grave

Em praticamente todos os indicadores, as meninas aparecem em situação mais delicada do que os meninos.

Cerca de 41% das adolescentes disseram se sentir tristes sempre ou na maior parte do tempo. Entre os meninos, esse percentual foi de 16,7%.

A diferença também aparece na vontade de se machucar, na irritação constante, na sensação de que ninguém se importa e até na percepção de que os pais não entendem seus problemas.

A saúde mental de adolescentes nem sempre dá sinais óbvios. Muitas vezes, o sofrimento aparece no silêncio, no isolamento e nas mudanças de comportamento.

A pressão estética, o excesso de comparação nas redes sociais, o bullying, a cobrança escolar e as expectativas familiares podem ajudar a explicar por que tantas meninas estão emocionalmente sobrecarregadas.

Em praticamente todos os indicadores, as meninas aparecem em situação mais delicada do que os meninos

Em praticamente todos os indicadores, as meninas aparecem em situação mais delicada do que os meninos

Outro dado que chama atenção é a piora da satisfação com a aparência física. Em 2019, 66,5% dos estudantes estavam satisfeitos com a própria imagem. Agora, esse número caiu para 58%.

Entre as meninas, a insatisfação é ainda maior. Mais de um terço delas não gosta da própria aparência.

Em um período da vida em que a identidade ainda está sendo construída, a comparação constante com padrões irreais pode se transformar em um peso enorme. Redes sociais, filtros, fotos perfeitas e influenciadores acabam criando uma sensação de inadequação permanente.

Falta apoio para lidar com o sofrimento

Mesmo com tantos sinais de alerta, muitos adolescentes ainda enfrentam tudo isso praticamente sozinhos.

Menos da metade dos estudantes frequenta escolas que oferecem algum tipo de suporte psicológico. Nas escolas públicas, esse número é ainda menor.

A presença de psicólogos ou profissionais especializados também é rara. Apenas cerca de um terço dos estudantes estuda em locais que possuem profissionais de saúde mental disponíveis.

Em muitos casos, o adolescente não precisa de julgamento. Precisa apenas de alguém disposto a ouvir.

Família, escola e amigos podem fazer diferença

A pesquisa também mostrou que mais de um quarto dos adolescentes sente que ninguém se preocupa com eles. Além disso, muitos acreditam que seus pais ou responsáveis não entendem seus problemas.

Esse sentimento de desamparo pode aumentar ainda mais o sofrimento emocional. Quando o adolescente sente que não pode falar sobre o que está vivendo, a tendência é guardar tudo para si.

Entre os jovens que já praticaram autoagressão, os números são ainda mais preocupantes. A maioria se sente triste constantemente, irritada por qualquer motivo e sem perspectiva sobre a vida.

Por isso, a saúde mental de adolescentes precisa deixar de ser tratada como exagero, drama ou “fase”. Conversar, acolher, observar mudanças bruscas de comportamento e buscar ajuda especializada podem fazer toda a diferença.

Serviços como psicólogos, postos de saúde, CAPS, escolas e o CVV, pelo telefone 188, podem oferecer apoio importante.

No fim das contas, talvez a maior necessidade de muitos adolescentes hoje seja justamente algo simples, mas poderoso: sentir que alguém realmente está ouvindo.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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