Como o Irã trocou o xá pelos aiatolás na revolução de 1979

Como o Irã trocou o xá pelos aiatolás na revolução de 1979

Da queda do xá à chegada de Khomeini: entenda como protestos, greves e uma revolução mudaram o destino do Irã e suas relações com o mundo.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou um país inteiro mudando de regime político e religioso em questão de meses? Pois foi exatamente isso que aconteceu no Irã em 1979, com a Revolução Islâmica que derrubou a monarquia e implantou o regime teocrático liderado pelos aiatolás.

O que era o Irã antes da Revolução?

Antes de tudo, o Irã era governado por um monarca chamado xá Mohammad Reza Pahlavi. Desde 1941, ele estava no poder, tentando transformar o país em uma potência moderna e ocidentalizada. Mas nem tudo ia bem.

Na década de 1950, um evento decisivo abalou as estruturas do país: com apoio dos Estados Unidos e do Reino Unido, o então primeiro-ministro Mohammad Mossadegh foi derrubado após tentar nacionalizar o petróleo iraniano. Esse golpe, arquitetado pela CIA e o serviço secreto britânico, deixou marcas profundas no sentimento popular contra a influência estrangeira.

Por que o povo se revoltou?

Ao longo dos anos seguintes, o xá tentou acelerar a modernização com um programa chamado Revolução Branca. Embora algumas medidas fossem populares, como reforma agrária e avanços na educação, muitas delas desagradaram a população mais conservadora e religiosa. Além disso, o autoritarismo do xá, a repressão política e o crescente abismo social geraram um clima de revolta.

O papel do aiatolá Khomeini e das fitas cassete

A insatisfação foi se acumulando. O grande nome por trás da revolução foi o aiatolá Ruhollah Khomeini, um clérigo xiita que vivia no exílio. De lá, ele enviava discursos gravados em fitas cassete, que circulavam de mão em mão nas mesquitas iranianas. As mensagens chamavam o povo para resistir e exigiam a saída do xá.

Greves, protestos e a queda do regime

Em 1978, o país explodiu em protestos. Greves em setores estratégicos, como a indústria do petróleo, enfraqueceram ainda mais o governo. O exército, que era a principal esperança do xá para conter a revolta, acabou declarando neutralidade.

Em janeiro de 1979, o xá fugiu do país. Pouco depois, Khomeini voltou ao Irã, sendo recebido por milhões de pessoas. Em abril daquele ano, um referendo definiu o novo regime: uma República Islâmica.

Como isso mudou o mundo?

A Revolução Islâmica de 1979 não transformou apenas o Irã. Ela virou um marco nas relações internacionais, principalmente nas tensões entre o Irã e os Estados Unidos, além de afetar a geopolítica do Oriente Médio até os dias de hoje.

O líder supremo iraniano desde então passou a ter um poder quase absoluto, comandando exército, justiça, mídia e influenciando a vida política do país. Primeiro foi Khomeini, depois o atual líder, Ali Khamenei.

E hoje, como está a situação?

Em meio aos conflitos atuais entre Irã e Israel, o papel do líder supremo continua sendo central nas decisões do país. Recentemente, ameaças públicas feitas por líderes de Israel e dos Estados Unidos reacenderam debates sobre o futuro do regime.

O que será que vem pela frente?

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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