Uma guerra contra os carros está em curso na América", declarou um influente canal americano de direita em 2017, argumentando que padrões mais rígidos de controle de emissões eram parte de um esforço para incentivar o transporte público. O debate não é exclusivo dos EUA, e acusações semelhantes surgiram no Reino Unido 15 anos atrás, quando Londres lançou um programa pioneiro de pedágio urbano.
Atualmente, cidades em todo o mundo enfrentam desafios semelhantes, buscando reduzir o tráfego e melhorar a qualidade do ar. Londres expandiu sua Zona de Emissões Ultrabaixas (Ulez), enquanto Ghent, na Bélgica, enfrentou resistência após tentativas de desencorajar viagens curtas de carro em 2017.
Paris, com o objetivo de banir carros a gasolina até 2030 para combater as mudanças climáticas, lidera esforços significativos. Nova York, após décadas de bloqueios, está prestes a lançar seu primeiro experimento de pedágio urbano, visando reduzir o trânsito em 15-20% e arrecadar bilhões para melhorias no sistema de metrô.
Acelerando a Redução dos Carros: Uma Necessidade Urgente
Governadora de Nova York, Kathy Hochul, compara emissões de escapamento a "incêndios florestais nas nossas ruas", enfatizando que horas perdidas no trânsito custam cerca de US$ 20 bilhões anualmente. Apesar da resistência inicial nos EUA, experiências globais mostram que programas de redução de carros ganham aceitação pública ao longo do tempo.
Ljubljana, Eslovênia, fechou seu centro para carros em 2007, enfrentando oposição inicial que, após uma década, resultou em 90% de apoio à proibição. Com base na teoria da perspectiva da psicologia comportamental, a relutância inicial é devido à dificuldade das pessoas em ponderar ganhos e perdas.
Curva de Goodwin: Decifrando a Aceitação Pública
Leo Murray, diretor de inovação da ONG climática Possible, destaca a "curva de Goodwin", mapeando a aceitação pública de pedágios. Apesar de uma redução durante a divulgação de detalhes específicos, o apoio cresce após a implementação. Experiências em Edimburgo e Estocolmo mostram que medidas de redução de tráfego sustentadas por mais de dois anos raramente são revertidas.
Abordagens Diversificadas para Sucesso: Lições de Cidades Líderes
Pesquisas indicam que abordagens diversificadas são cruciais para incentivar mudanças. Estocolmo, após testar um pedágio urbano em 2006, viu uma virada na opinião pública, resultando em um referendo para tornar a cobrança permanente. Em Barcelona, incentivos financeiros, como subsídios de até 6 mil euros para trocar carros poluentes, foram fundamentais.
O diretor-executivo da rede C40 Cities, Mark Watts, destaca a importância da justiça, oferecendo opções reais, não apenas aumentando custos, mas promovendo caminhadas e transporte público. Barcelona introduziu passe livre para quem abandonar carros poluentes, enquanto Estocolmo ampliou serviços de ônibus. Em Londres, descontos para compartilhamento de carros e aluguel de bicicletas acompanharam a expansão da Ulez.
Desafios e Soluções: O Caminho à Frente para Nova York
Nova York enfrenta desafios significativos em seu plano de pedágio urbano. Investindo a receita (US$ 15 bilhões) na MTA, o programa inclui tarifas flutuantes e uma coalizão chamada Congestion Pricing Now para conscientização. Resistência persiste, com o governador de Nova Jersey criticando a proposta. Kate Slevin, da Regional Plan Association, sugere pedágios reguladores para equidade e planos para mitigar deslocamento de caminhões.
Inovação Americana: Potencial Pioneiro para o Futuro
Outras cidades americanas, de Boston a Oregon, exploram medidas semelhantes. Boston propõe um comitê sobre o preço da mobilidade, enquanto Oregon testa tarifas baseadas em quilometragem. Para Kate Slevin, o plano de Nova York pode marcar o início de uma transformação nacional, influenciando outras cidades a promoverem transporte público e opções sustentáveis.
Nova York está prestes a trilhar um caminho inovador, e se bem-sucedida, pode inspirar uma mudança global na abordagem de cidades para enfrentar o desafio crescente de tráfego e poluição.