Cientistas fazem chover o equivalente a 30 piscinas no deserto

Cientistas fazem chover o equivalente a 30 piscinas no deserto

O equivalente a 30 piscinas olímpicas foi criado com apenas 1kg de substância química liberada por drones.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou transformar o deserto em um palco de chuva artificial com ajuda de drones e um punhado de química? Pois foi exatamente isso que cientistas chineses fizeram, surpreendendo o mundo com uma inovação climática que parece coisa de filme futurista — mas que já é realidade.

Fazer chover: sonho antigo, agora controlado por humanos?

Durante séculos, a humanidade viu a chuva como algo sagrado, imprevisível e fora do nosso alcance. Mas os cientistas da Administração Meteorológica da China (CMA) estão mostrando que talvez esse controle já esteja ao nosso alcance — ou, melhor dizendo, sobrevoando nossos céus.

Com o uso de drones de porte médio, os pesquisadores conseguiram fazer chover na região árida de Xinjiang, no oeste da China. A missão? Liberar iodeto de prata, um composto químico que age como “sementes” de nuvens. E pasme: apenas 1 quilo da substância foi suficiente para gerar mais de 70 mil metros cúbicos de água – o equivalente a 30 piscinas olímpicas!

Como a tecnologia fez isso acontecer?

A técnica utilizada é chamada de semeadura de nuvens. Funciona mais ou menos assim: o iodeto de prata é liberado em áreas com umidade no ar e nuvens em formação. Ele serve como núcleo para que o vapor d’água se condense e forme gotas maiores e mais pesadas, que caem como chuva.

Os drones voaram até 5,5 mil metros de altitude e fizeram quatro voos consecutivos sobre a região de Bayanbulak. O resultado foi um aumento de 4% na precipitação, além de alterações significativas na estrutura das nuvens. As gotas aumentaram quase 7 vezes de tamanho (de 0,46 mm para 3,22 mm), e as imagens de satélite mostraram um resfriamento de até 10°C nas nuvens, além de um crescimento vertical de 3 km!

Mas isso é seguro? E onde mais já foi usado?

Segundo os pesquisadores, o uso de drones torna a técnica ainda mais precisa e segura, além de permitir cobertura tridimensional, em qualquer época do ano e sob diferentes condições climáticas.

Essa tecnologia já foi testada em outras regiões da China, como Guizhou, Xangai, Gansu e Sichuan, e tem sido considerada uma solução promissora para regiões que sofrem com a seca, desertificação ou derretimento de geleiras – problemas que ameaçam o abastecimento de água em várias partes do mundo.

Curiosidades que você talvez não saiba ️

  • A semeadura de nuvens não é exatamente nova: a ideia surgiu em meados do século XX, mas agora, com os drones e a IA, ela está atingindo novos níveis de precisão e eficácia.

  • O iodeto de prata é seis vezes mais denso que a água e age como um núcleo de condensação, essencial para formar gotas grandes o suficiente para cair como chuva.

  • Em 2008, a China já havia usado essa técnica para evitar chuvas durante a cerimônia de abertura das Olimpíadas de Pequim, dispersando as nuvens antes que chegassem ao local do evento!

Um futuro onde controlamos o clima?

A pergunta que não quer calar: estamos caminhando para um futuro em que será possível fazer chover onde quisermos? A resposta ainda está em desenvolvimento, mas as possibilidades são animadoras — e também levantam discussões sobre os impactos a longo prazo de “brincar” de controlar o clima.

Seja como for, a ciência segue provando que ideias que pareciam impossíveis estão se tornando realidade diante dos nossos olhos.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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