Depois de dias de calor e tempo abafado em várias partes do Brasil, o cenário começa a mudar. Nuvens carregadas, rajadas de vento e uma queda gradual nas temperaturas devem marcar os próximos dias em boa parte do país. E tudo isso acontece porque um ciclone extratropical avança sobre a América do Sul e já começa a reorganizar o tempo.
Apesar do nome assustar, ciclones extratropicais são relativamente comuns no Sul do continente, especialmente durante o outono e o inverno. O problema é que, dependendo da intensidade e da posição do sistema, eles podem provocar temporais, granizo, ventos fortes e mudanças bruscas de temperatura.
Desta vez, o ciclone extratropical avança entre o Uruguai, o Sul do Brasil, a Argentina e o Paraguai, com efeitos que podem ser sentidos até o Sudeste, o Centro-Oeste e parte do Norte do país.

Desta vez, o ciclone extratropical avança entre o Uruguai, o Sul do Brasil, a Argentina e o Paraguai
Como o ciclone extratropical avança pelo Brasil?
A formação do sistema começa entre esta terça-feira e quarta-feira, quando uma área de baixa pressão sobre o Uruguai tende a se aprofundar e formar o ciclone extratropical. A expectativa é que ele ganhe força rapidamente, especialmente quando avançar para o mar.
Os meteorologistas explicam que o sistema deve começar atuando próximo ao Sul do Rio Grande do Sul e ao Uruguai, mas depois segue em direção ao Oceano Atlântico, afastando-se do continente.
Esse movimento é considerado comum para esse tipo de fenômeno. O ciclone nasce sobre o continente, intensifica-se e depois avança sobre o oceano, puxando uma frente fria atrás dele. É justamente essa frente fria que leva chuva, vento e instabilidade para outras regiões do Brasil.
O ciclone extratropical avança primeiro sobre o Sul, mas seus efeitos podem ser sentidos em várias regiões do país por causa da frente fria associada.
O Instituto Nacional de Meteorologia já emitiu alertas para diversas áreas entre domingo e terça-feira, com previsão de chuva de até 50 milímetros por dia, possibilidade de granizo e rajadas de vento que podem chegar a 60 km/h em algumas cidades.

O ciclone extratropical avança primeiro sobre o Sul, mas seus efeitos podem ser sentidos em várias regiões do país
Quais regiões devem ser mais afetadas?
Até o momento, o Rio Grande do Sul aparece como o estado com maior potencial para impactos mais fortes. As áreas Sul e Leste do estado devem sentir as rajadas mais intensas, especialmente cidades próximas ao Chuí, Rio Grande e região da Lagoa dos Patos.
Em alguns pontos, o vento pode passar de 100 km/h, principalmente no Litoral Sul gaúcho. Também há previsão de chuva forte, temporais e até risco isolado de tornados, devido à presença de correntes de jato em baixos níveis da atmosfera.
No Uruguai, regiões como Montevidéu, Maldonado, Rocha e Canelones também devem enfrentar rajadas intensas, entre 70 km/h e 90 km/h, com possibilidade de marcas ainda maiores em alguns locais.
Santa Catarina e Paraná também entram na rota da instabilidade. A linha de temporais deve avançar do Oeste para o Leste, trazendo chuva generalizada, risco de granizo e rajadas fortes principalmente entre terça e quarta-feira.
Goiás e Centro-Oeste também sentem reflexos
Mesmo longe da área central do ciclone, estados do Centro-Oeste também devem sentir mudanças no tempo. Em Goiás e no Distrito Federal, por exemplo, a tendência é de aumento da nebulosidade e pancadas de chuva a partir desta terça-feira.
Esse corredor de instabilidade costuma ocorrer quando a frente fria associada ao ciclone avança pelo interior do Brasil. Em alguns pontos, a chuva pode vir acompanhada de rajadas de vento e trovoadas.
Para quem mora em Goiânia, por exemplo, a mudança pode ser percebida primeiro no aumento das nuvens, seguido por pancadas rápidas no fim da tarde e noites mais frescas do que o habitual para abril.
Nem sempre o ciclone passa diretamente por uma região para causar efeitos. Muitas vezes, basta a frente fria associada a ele para mudar completamente o tempo.
Na quarta-feira, a instabilidade deve alcançar áreas do Sudeste, incluindo Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Já na quinta-feira, mesmo com o ciclone afastado do continente, a frente fria ainda pode provocar chuva localmente forte e temporais isolados nesses estados.

Nem sempre o ciclone passa diretamente por uma região para causar efeitos
O que esperar dos próximos dias?
Os próximos dias devem ser de atenção principalmente para quem mora em áreas sujeitas a alagamentos, queda de árvores, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia.
Embora muitos alertas ainda classifiquem o risco de danos graves como baixo, a área exata de maior impacto ainda pode mudar conforme os modelos meteorológicos forem atualizados.
Por isso, especialistas recomendam acompanhar os boletins oficiais, evitar áreas abertas durante tempestades e ter cuidado redobrado em regiões litorâneas e próximas de árvores, placas e estruturas metálicas.
O ciclone extratropical avança de forma relativamente comum para esta época do ano, mas isso não significa que ele deva ser ignorado. Dependendo da intensidade, fenômenos assim podem provocar mudanças rápidas e perigosas no tempo em poucas horas.