Cerveja pode te deixar mais inteligente? A ciência responde

Cerveja pode te deixar mais inteligente? A ciência responde

Alguns compostos da cerveja podem influenciar o cérebro, mas o resultado pode não ser o que você imagina.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Imagine alguém levantando um copo gelado e dizendo: “Cerveja é o combustível da inteligência!”.
Mas será que existe alguma verdade científica por trás dessa brincadeira?

Pesquisadores de diversas universidades têm se debruçado sobre essa questão curiosa, tentando entender se os compostos presentes na cerveja podem realmente ter algum efeito sobre o cérebro humano. O resultado? A resposta é bem mais complexa do que parece.

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Cerveja te deixa mais inteligente? A resposta é bem mais complexa do que parece

O que a ciência tem investigado

Estudos recentes indicam que certos compostos naturais da cerveja, como os polifenóis e os ácidos do lúpulo, possuem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Esses elementos também são encontrados em alimentos considerados benéficos para o cérebro, como o chocolate amargo e o vinho tinto.
A teoria é que esses compostos poderiam ajudar na circulação sanguínea cerebral e reduzir a inflamação, fatores que influenciam a memória e o raciocínio.

“Não há evidências de que a cerveja aumente a inteligência. O que se sabe é que alguns de seus compostos podem contribuir para o bem-estar cerebral, desde que consumidos de forma moderada”, alertam os especialistas.

Um estudo conduzido pela Universidade de Granada, na Espanha, acompanhou jovens adultos que combinaram exercícios físicos com consumo moderado de cerveja por dez semanas. Os resultados não mostraram prejuízos cognitivos, mas também não indicaram nenhum ganho de inteligência. A conclusão foi clara: moderação é a palavra-chave.

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A conclusão foi clara: moderação é a palavra-chave

Os riscos por trás do mito

Por outro lado, uma análise da Universidade de Oxford trouxe um alerta preocupante. Avaliando milhares de exames cerebrais, os cientistas descobriram que até pequenas quantidades de álcool podem estar associadas à redução do volume cerebral.
Isso significa que não existe um “nível seguro” universal para o consumo de álcool, e que até mesmo o hábito social de tomar uma cervejinha pode ter efeitos cumulativos a longo prazo.

Além disso, uma revisão publicada na revista Frontiers in Aging Neuroscience mostrou que muitos estudos sobre o tema são enviesados. Isso acontece porque o grupo de “abstêmios” geralmente inclui pessoas que pararam de beber por problemas de saúde, o que pode dar uma falsa impressão de benefício nos bebedores moderados.

O verdadeiro combustível da inteligência

Até agora, nenhum estudo comprovou que a cerveja melhora a inteligência ou a memória. Os cientistas destacam que o que realmente influencia o desempenho cerebral são os hábitos diários: sono de qualidade, prática de atividades físicas, alimentação equilibrada e estímulo intelectual.

“A inteligência é moldada pelo que você faz todos os dias, não pelo que você bebe.”

Curiosamente, o que pode parecer um “benefício da cerveja” pode estar mais relacionado ao contexto social em que ela é consumida. Conversar, relaxar e rir com amigos estimula o cérebro tanto quanto resolver um quebra-cabeça. Nesse caso, o poder da cerveja estaria mais no encontro do que no copo.

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A inteligência é moldada pelo que você faz todos os dias, não pelo que você bebe

E o que isso significa na prática?

Se você aprecia uma boa cerveja, a boa notícia é que consumir com moderação dificilmente prejudicará o seu cérebro. Para a maioria dos especialistas, o ideal é limitar o consumo a uma dose diária para mulheres e até duas para homens, dependendo da idade e da saúde geral.

Mas se a ideia é turbinar a mente, as recomendações continuam as mesmas: leitura, aprendizado contínuo, exercícios e boa alimentação.
A cerveja pode até brindar o momento, mas a inteligência se constrói no dia a dia.

Embora o mito da “cerveja que te deixa mais inteligente” seja tentador, a ciência ainda não encontrou provas de que isso seja verdade. Os compostos da bebida até podem ter alguns efeitos positivos indiretos, mas a inteligência continua sendo fruto de hábitos saudáveis, não de brindes ocasionais.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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