Se o café em cápsulas é conhecido por sua praticidade, sua reputação ecológica sempre esteve em cheque devido aos resíduos de plástico e metal que esses recipientes produzem. No entanto, uma nova pesquisa da Universidade de Quebec, no Canadá, está mudando a perspectiva ao afirmar que, em termos gerais, as cápsulas de café podem ser menos prejudiciais ao meio ambiente do que métodos tradicionais de preparo.
Ao invés de analisar apenas o impacto do resíduo, os pesquisadores mediram o impacto ambiental de todo o processo, desde a produção dos grãos até a quantidade de lixo gerado. Surpreendentemente, as cápsulas de café ficaram em terceiro lugar na lista de métodos mais poluentes, com o café filtrado tradicional e a prensa francesa ocupando as primeiras posições.
O café filtrado tradicional foi apontado como o método mais poluente, devido à grande quantidade de pó por xícara e ao consumo de energia para aquecer a água. Em segundo lugar, a prensa francesa também se mostrou impactante devido a motivos semelhantes. As cápsulas, por sua vez, foram reconhecidas como a terceira forma menos prejudicial, principalmente devido ao controle da quantidade de café em cada unidade, evitando o desperdício.
Luciano Rodrigues Viana, um dos autores da pesquisa, destacou que a fase agrícola é a mais poluente do processo de feitura do café. Mesmo com plástico e alumínio nas cápsulas, e o consumo de energia na fabricação, o impacto total do preparo do grão e do café é superior. Diante disso, Viana enfatizou a importância de reduzir o consumo diário de café e evitar desperdícios como alternativa ambiental.
A pesquisa ganha relevância ao considerar que o café é a bebida mais consumida no mundo, com cerca de 2 bilhões de xícaras sendo consumidas diariamente. Mesmo sendo uma alternativa, Viana alertou que as cápsulas não são uma solução milagrosa, sugerindo a redução do consumo diário como uma medida mais eficaz.
A pesquisa também ressaltou que as cápsulas reutilizáveis, se utilizadas por um longo período, podem ser uma solução para reduzir a quantidade de resíduos. Além disso, o café instantâneo foi apontado como o método mais ecológico, consumindo menos matéria-prima. As chaleiras, por utilizar menos energia em comparação às cafeteiras elétricas populares, também foram recomendadas como uma opção mais sustentável.
Em resumo, a pesquisa destaca a importância de repensar o impacto ambiental do café, proporcionando uma visão mais ampla sobre as opções de preparo disponíveis. Conclui-se que, apesar da reputação negativa das cápsulas, métodos tradicionais podem ser mais prejudiciais ao meio ambiente.