Já imaginou um padre batizando um alienígena?
Pode parecer cena de filme, mas essa possibilidade está sendo discutida dentro do próprio Vaticano. O novo diretor do observatório astronômico da Santa Sé, o padre jesuíta Richard Anthony D’Souza, acredita que, se um dia encontrarmos vida inteligente fora da Terra, a Igreja Católica precisará se adaptar, e ele mesmo estaria disposto a batizar seres de outros planetas.
D’Souza, que é astrônomo e teólogo, defende que a descoberta de vida extraterrestre provocaria uma revolução na teologia, mas também abriria um novo capítulo na compreensão da criação divina.
“Todos eles fariam parte da criação de Deus”, afirmou o padre em entrevista ao The Telegraph.
Ciência e fé sob o mesmo céu
D’Souza tem 47 anos, nasceu na Índia e é formado em Física, com doutorado no Instituto Max Planck de Astrofísica, na Alemanha. Ele acredita que a fé e a ciência não são rivais, mas aliadas na busca por respostas sobre o universo.
Para o jesuíta, o encontro com civilizações extraterrestres seria comparável às grandes transformações espirituais da história. Segundo ele, a religião teria que refletir sobre o papel desses seres no plano divino e repensar conceitos como encarnação e salvação.
“A astronomia nos lembra da nossa pequenez diante do cosmos, mas também do nosso papel na criação de Deus”, declarou o padre.
O Vaticano e o cosmos
A Specola Vaticana, como é chamado o observatório do Vaticano, foi fundada em 1582 e é uma das instituições científicas mais antigas do mundo. Atualmente, ela funciona em Castel Gandolfo, com laboratórios também nos Estados Unidos.
O objetivo é aproximar o estudo científico do espaço das questões filosóficas e espirituais, unindo telescópios e teologia em um mesmo olhar para o infinito.
Curiosamente, o próprio Big Bang, a teoria que explica a origem do universo, foi proposta por um padre belga, Georges Lemaître, em 1927. Para D’Souza, isso mostra que a ciência e a fé sempre caminharam lado a lado.
“A ideia de um universo com um começo é compatível com a visão cristã de um Criador benevolente”, afirma.
Batismo interplanetário?
Embora ainda não haja qualquer evidência de vida fora da Terra, o padre vê o tema como uma oportunidade de diálogo entre ciência e espiritualidade. Se um dia formos visitados por uma civilização de outro planeta, ele acredita que o gesto de acolher e batizar esses seres seria natural dentro da fé católica.
E, convenhamos, imaginar um padre lançando água benta sobre um alienígena verde e curioso pode até parecer engraçado, mas também levanta uma reflexão profunda: o que é ser parte da criação de Deus em um universo tão vasto?
O olhar do Vaticano para o futuro
Para D’Souza, quanto mais a humanidade explorar o universo, mais humildade e responsabilidade deve ter diante da criação.
Em suas palavras, “o estudo das estrelas deve fortalecer a fé, não enfraquecê-la”.
Afinal, se o céu sempre foi visto como morada dos deuses, nada mais justo que seja também o lugar onde a fé e a ciência se encontrem — lado a lado, observando as mesmas estrelas.