Aparelho brasileiro 'Rapha' evita amputações em diabéticos

Aparelho brasileiro 'Rapha' evita amputações em diabéticos

Criado por pesquisadora da UnB, o aparelho acelera a cicatrização de feridas diabéticas.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou se um simples aparelho pudesse acelerar a cura de feridas e evitar amputações?
Essa é a realidade que começa a tomar forma graças à engenhosidade de uma cientista brasileira. Movida pela dor de ver o próprio pai sofrer com complicações da diabetes, a pesquisadora Suélia Rodrigues, da Universidade de Brasília (UnB), transformou uma história pessoal em um avanço científico capaz de mudar vidas.

O resultado dessa jornada é o Rapha, um dispositivo criado para acelerar a cicatrização de feridas em pacientes diabéticos e evitar amputações, especialmente nos casos do chamado “pé diabético”, uma das consequências mais graves da doença.

“Ver meu pai sofrer com feridas que não cicatrizavam me fez perceber que era possível unir ciência e empatia”, contou Suélia.

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Rapha, um dispositivo criado para acelerar a cicatrização de feridas em diabéticos

 

⚙️ Um aparelho que une tecnologia e humanidade

O Rapha é fruto de quase vinte anos de pesquisa conduzidas pelo Grupo de Engenharia Biomédica da UnB, coordenado por Suélia e pelo pesquisador Adson Ferreira da Rocha. O nome do projeto não foi escolhido por acaso: “Rapha” vem de Rafa, palavra hebraica que significa “curar”.

A invenção já recebeu o selo de segurança do Inmetro e aguarda o registro da Anvisa para ser produzida em larga escala. A expectativa é que o aparelho chegue ao Sistema Único de Saúde (SUS) e se torne acessível a hospitais de todo o país.

Como o Rapha funciona

O dispositivo combina duas inovações poderosas:

  • Um curativo feito de látex natural, extraído da seringueira.

  • Uma luz especial de LED, que estimula a regeneração celular.

O látex ajuda na formação de novos vasos sanguíneos, enquanto a luz ativa as células da pele, acelerando a cicatrização. O processo é simples: após a limpeza da ferida, o profissional aplica o curativo e posiciona o emissor de luz por cerca de 30 minutos. Depois disso, o curativo permanece na pele por 24 horas, sendo trocado diariamente.

A tecnologia é não invasiva, acessível e sustentável, já que utiliza materiais naturais e equipamentos de baixo custo.

“Nosso objetivo é democratizar a tecnologia. A ciência precisa estar a serviço das pessoas”, destaca Suélia.

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A tecnologia é não invasiva, acessível e sustentável

 

Ciência, sensibilidade e transformação social

Mais do que um avanço médico, o Rapha representa a força da inovação brasileira aliada à empatia humana.
A iniciativa é apoiada por instituições como o Ministério da Saúde, CNPq, Capes, FAPDF, Finatec e recebeu apoio parlamentar de Erika Kokay (PT-DF) e Leila Barros (PDT-DF).

A fabricação será feita pela empresa Life Care Medical, em São Paulo, com o objetivo de levar a tecnologia a hospitais públicos em todo o país.

Se der certo, e tudo indica que sim, o Rapha poderá reduzir drasticamente o número de amputações no Brasil, além de devolver qualidade de vida a milhares de pacientes.

“É um exemplo de como a dor pode ser transformada em esperança e de como a ciência brasileira pode brilhar quando é movida pelo coração.”

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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