Anomalia magnética está crescendo e já cobre parte do Brasil

Anomalia magnética está crescendo e já cobre parte do Brasil

Região onde o campo magnético é mais fraco cresce silenciosamente e intriga cientistas


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

O que é a Anomalia Magnética do Atlântico Sul

A Anomalia Magnética do Atlântico Sul, também chamada de Amas, é uma região onde o campo magnético terrestre é significativamente mais fraco do que no resto do planeta.

Ela se estende da África até a América do Sul, passando por áreas do Sudeste e do Centro-Oeste do Brasil.

Em termos simples, é como se o escudo magnético tivesse um “afinamento” nessa região.

Esse fenômeno não é novo.
A Amas existe há pelo menos 10 milhões de anos.

O que chamou a atenção dos cientistas agora foi outra coisa.

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A Anomalia Magnética do Atlântico Sul se estende da África até a América do Sul

 

A anomalia magnética está crescendo

Um novo estudo da Agência Espacial Europeia (ESA) revelou que, nos últimos 11 anos, a anomalia magnética aumentou de tamanho.

Durante esse período, ela passou a cobrir cerca de 0,9% a mais da superfície do planeta. Em escala global, isso representa uma área gigantesca.

Mas o crescimento não é o único problema.

O campo magnético está mais fraco do que nunca

Além de se expandir, a anomalia também está ficando mais intensa no sentido negativo.

No ponto mais fraco da região, o campo magnético caiu para 22 microtesla.
Para efeito de comparação, o valor considerado normal gira em torno de 50 microtesla.

Ou seja, em algumas áreas, o escudo magnético está operando com menos da metade da força habitual.

Isso acontece porque o campo magnético não é uniforme. Ele depende dos movimentos dos metais líquidos no núcleo da Terra, um enorme oceano de ferro em constante agitação.

Pequenas mudanças nesse fluxo interno geram grandes efeitos na superfície.

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Além de se expandir, a anomalia também está ficando mais intensa no sentido negativo.

 

❄️ Enquanto enfraquece aqui, o campo se fortalece em outro lugar

Curiosamente, enquanto a anomalia cresce no Atlântico Sul, o campo magnético se fortalece em outra região do planeta.

Na Sibéria, onde está o campo magnético mais intenso da Terra, os cientistas observaram um aumento da força, que chegou a 61,6 microtesla no mesmo período analisado.

Esse contraste reforça uma ideia importante.

O campo magnético da Terra é dinâmico

O campo magnético terrestre não é estático.
Ele se move, oscila, enfraquece em alguns pontos e se fortalece em outros.

Essas mudanças fazem parte da própria dinâmica do planeta e ajudam os cientistas a entender melhor o funcionamento do núcleo da Terra.

Ainda assim, elas trazem consequências práticas.

️ Por que essa anomalia preocupa cientistas

Para as pessoas no dia a dia, a anomalia magnética não representa um risco imediato.
Mas para satélites, sistemas de comunicação e equipamentos espaciais, o cenário é diferente.

Regiões com campo magnético mais fraco deixam satélites mais expostos à radiação solar, aumentando o risco de falhas, perda de dados e danos eletrônicos.

Por isso, a Amas é constantemente monitorada por agências espaciais.

Um planeta vivo, até nos detalhes invisíveis

O que acontece a milhares de quilômetros abaixo dos nossos pés pode levar décadas ou séculos para gerar impactos maiores.

Mas os dados já mostram algo claro.

Até os escudos invisíveis da Terra estão em constante transformação.

E entender essas mudanças é uma das chaves para proteger nossa tecnologia, nossa ciência e, no futuro, nossa própria relação com o espaço.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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