Adeus Tigrinho? Nova lei das BETs pode mudar tudo no Brasil

Adeus Tigrinho? Nova lei das BETs pode mudar tudo no Brasil

Influenciadores fora, horários limitados e apostas mais controladas: o mercado das casas de apostas sofreu um duro golpe com a nova PL aprovada no Senado.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

A farra das apostas esportivas no Brasil sofreu um verdadeiro “carrinho por trás” com a aprovação da PL 2.985 no Senado. O texto aprovado impõe uma série de limitações rigorosas para a publicidade das famosas casas de BETs — aquelas que dominavam os intervalos de jogos, feeds do Instagram e até memes com mascotes fofinhos (ou nem tanto).

E as mudanças são profundas. O jogo virou — e não é no sentido figurado.

Influenciadores e atletas: fim da linha?

Se você segue influenciadores que vivem postando links de apostas com promessas de riqueza fácil, prepare-se para vê-los mudar de nicho ou desaparecer. A nova lei proíbe qualquer pessoa em atividade pública de fazer propaganda de BETs: atletas, artistas, autoridades e influenciadores estão fora.

E aqui entra uma grande questão: o que define um influenciador?
Quantos seguidores alguém precisa ter pra ser considerado influente? E se a postagem for espontânea? Quem será punido — o influenciador ou a casa de apostas?

Para os criadores de conteúdo que viviam disso, a festa acabou. Muitos já estavam com o padrão de vida baseado nesses contratos. Vai ter muito conteúdo agora sobre “vida simples” e “minimalismo” (forçado, no caso).

Propagandas limitadas a horários específicos

Nada de anúncios o tempo todo. A nova regulamentação estipula horários fixos para a publicidade de casas de apostas:

  • TV, streaming e redes sociais: das 19h30 às 0h

  • Rádio: das 9h às 11h e das 17h às 19h30

  • Jogos ao vivo: só nos 15 minutos antes ou depois

Isso muda completamente o jogo para quem usa as apostas como principal anunciante durante transmissões esportivas. A ideia é clara: menos exposição, menos glamour, menos ilusão.

Tigrinho, cobrinhas e mascotes: fim da era infantilizada

Acabou a farra dos personagens fofinhos que serviam como “isca” para atrair jovens (e até crianças). A nova lei proíbe qualquer tipo de mascote, animação ou símbolo que possa chamar a atenção dos menores. A comunicação também não pode sugerir sucesso, riqueza ou vida boa com apostas.

Agora os anúncios terão que vir com aquele aviso pesado:

"Apostas causam dependência e prejuízo a você e à sua família."

Parece comercial de cigarro, né? Pois é, a ideia é a mesma: desromantizar o vício.

Estádios, redes sociais e outras regras que mudam tudo

Nos estádios, só quem é patrocinador oficial poderá exibir publicidade. E nos canais digitais, os anúncios só poderão aparecer para usuários maiores de 18 anos e devidamente autenticados.

Mas como garantir isso? Quem nunca colocou uma idade falsa pra acessar algo online? A dúvida continua: como controlar isso nas redes sociais? Será que a simples publicação de um post já conta como publicidade? Só o impulsionamento? Há muitas brechas ainda a serem discutidas.

Apostas ainda vão existir? Sim, mas bem diferentes

O mercado de iGaming no Brasil não acabou — mas entrou num modo mais contido e regulado. CEOs das grandes BETs sabiam que esse freio era inevitável. A guerra pela visibilidade com dinheiro infinito não podia continuar sem limites.

Agora, os mais espertos vão se adaptar. E não se engane: o marketing vai achar um jeito de continuar jogando — talvez com nano-influenciadores, pequenos criadores de conteúdo que passam despercebidos pela regulamentação.

Mas uma coisa é certa: o tempo da farra fácil acabou.

Curiosidade extra: o mercado bilionário das BETs

Você sabia que o Brasil movimenta bilhões de reais por ano com apostas online? Estima-se que só em 2023 o mercado tenha movimentado mais de R$ 12 bilhões, a maior parte disso vindo de apostas esportivas. Isso explica o interesse de tantos influenciadores, clubes de futebol e plataformas nesse setor.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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