A guerra do delivery no Brasil: o império do iFood sob ataque
Imagine o mercado de delivery no Brasil como um grande tabuleiro de xadrez. Durante anos, o iFood reinou absoluto, movendo suas peças com total domínio. Mas, de repente, novos jogadores apareceram, e o jogo virou uma verdadeira batalha bilionária.
Agora, duas gigantes chinesas, Keeta e 99Food, estão dispostas a derrubar o reinado do iFood e conquistar o apetite dos brasileiros.
Novas gigantes chinesas desafiam o domínio quase absoluto do iFood.
O domínio do iFood e o início da tensão
O iFood se tornou quase sinônimo de delivery no Brasil. Com mais de 80% do mercado, a empresa construiu um império baseado em tecnologia, marketing agressivo e parcerias exclusivas com restaurantes.
Mas esse domínio também gerou críticas e polêmicas: taxas altas para os estabelecimentos, pagamentos baixos aos entregadores e uma estrutura que muitos consideram concentradora.
“O iFood criou um modelo quase monopolista e isso atraiu rivais dispostas a tudo para entrar nesse jogo”, explicam analistas do setor.
E foi assim que começou a chamada “Guerra das Máfias do Delivery”, expressão usada nas redes para descrever a disputa entre gigantes que querem uma fatia do bolo; ou, nesse caso, da pizza.
A chegada da 99Food e a ofensiva da Keeta
A 99, conhecida por seus serviços de transporte, decidiu apostar novamente no mercado de entregas.
Em 2025, a 99Food voltou com força total, investindo bilhões e oferecendo incentivos para atrair restaurantes, até R$ 900 milhões em acordos de exclusividade parcial, segundo a rival Keeta.
A Keeta, por sua vez, é uma das maiores plataformas de delivery do mundo, controlada pela chinesa Meituan, que movimenta mais de 770 milhões de clientes na Ásia. Sua entrada no Brasil promete abalar o mercado: R$ 5,6 bilhões em investimentos e planos de expansão agressivos.
Disputa nos tribunais: o caso foi parar na Justiça
A tensão explodiu quando a Keeta processou a 99Food, acusando-a de concorrência desleal.
Segundo a denúncia, a 99 teria criado cláusulas de “banimento” que impediam restaurantes de firmar parcerias com a Keeta, restringindo a livre concorrência.
A Justiça de São Paulo deu razão à Keeta e considerou essas práticas ilegais, derrubando as cláusulas de exclusividade.
O juiz Fábio Henrique Prado de Toledo afirmou que a 99Food tentou “excluir deliberadamente” a concorrente do mercado.
“A empresa poderia criar regras genéricas de exclusividade. Mas optou por nomear a Keeta, revelando o propósito de eliminá-la”, destacou o magistrado na decisão.
A 99Food, no entanto, nega as acusações e diz que seus contratos já foram modificados desde agosto, removendo menções específicas à concorrência.
Bilhões em jogo e o futuro do delivery
Essa disputa não é apenas sobre restaurantes, é uma guerra por poder e dados.
O setor de delivery movimentou R$ 147 bilhões globalmente em 2024 e deve crescer cerca de 7% ao ano até 2028, segundo a consultoria Euromonitor International.
A 99Food planeja operar em 100 cidades brasileiras até 2026, enquanto a Keeta inicia sua jornada em Santos (SP), prometendo estabilidade e parcerias duradouras.
Com tanto dinheiro em jogo, o que está em disputa é o futuro de como os brasileiros vão pedir comida — e quem vai dominar seus dados e hábitos de consumo.
O impacto no consumidor e o que pode vir por aí
Para o consumidor, essa guerra pode trazer vantagens temporárias, como promoções e descontos agressivos.
Mas, a longo prazo, o risco é que novos monopólios se formem, repetindo os mesmos problemas de concentração que o setor já enfrenta.
No fim, essa história mostra que, por trás de cada refeição entregue em casa, há uma batalha silenciosa; de contratos, investimentos e estratégias globais.
E a pergunta que fica é: quem vai vencer a guerra do delivery no Brasil?