Super El Niño pode tornar 2027 o ano mais quente da história

Super El Niño pode tornar 2027 o ano mais quente da história

Super El Niño pode provocar extremos climáticos no mundo. Brasil pode enfrentar seca, calor e enchentes.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Imagine um planeta ainda mais quente, com ondas de calor extremas, secas prolongadas, enchentes violentas e tempestades cada vez mais imprevisíveis. Parece cenário de filme apocalíptico, mas novas previsões climáticas indicam que algo assim pode realmente acontecer nos próximos anos.

Meteorologistas e centros internacionais de previsão estão acompanhando com preocupação a possibilidade de formação de um Super El Niño ainda em 2026. Se isso acontecer, os efeitos podem se estender até 2027, com potencial para tornar esse o ano mais quente já registrado na história moderna.

O alerta ganhou força após atualizações recentes de modelos climáticos internacionais, especialmente do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo. Segundo especialistas, as chances de formação do fenômeno praticamente dobraram em relação às projeções anteriores.

Cientistas estão preocupados com a possibilidade de formação de um Super El Niño ainda em 2026

Cientistas estão preocupados com a possibilidade de formação de um Super El Niño ainda em 2026

O que é o Super El Niño?

O El Niño já é conhecido por alterar o clima em várias partes do mundo. Mas o Super El Niño é uma versão muito mais intensa desse fenômeno.

Ele acontece quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais de 2 graus acima da temperatura média normal. Esse aquecimento altera o comportamento da atmosfera e mexe com o regime de chuvas, ventos e temperaturas em escala global.

Embora eventos de El Niño sejam relativamente frequentes, o Super El Niño é raro. Em média, ele ocorre a cada 10 ou 15 anos e costuma provocar impactos muito mais intensos e duradouros.

O fenômeno mais recente considerado um Super El Niño aconteceu entre 2015 e 2016 e já provocou secas severas, enchentes e recordes de calor em diferentes regiões do planeta. Agora, especialistas acreditam que o próximo pode ser ainda mais forte.

O Super El Niño não muda apenas o clima de uma região. Ele tem capacidade de reorganizar padrões climáticos em praticamente todo o planeta.

Há projeções indicando, inclusive, que o evento previsto para os próximos anos pode ser o mais intenso dos últimos 140 anos.

O Super El Niño não muda apenas o clima de uma região. Ele tem capacidade de reorganizar padrões climáticos em praticamente todo o planeta

O Super El Niño não muda apenas o clima de uma região. Ele tem capacidade de reorganizar padrões climáticos em praticamente todo o planeta

Como o Super El Niño pode afetar o Brasil?

Os efeitos do Super El Niño tendem a ser diferentes dependendo da região do Brasil.

No Norte e em parte do Nordeste, a tendência costuma ser de seca mais intensa e redução das chuvas. Isso pode prejudicar rios, reservatórios, agricultura e abastecimento de água.

Já em áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o cenário costuma ser oposto, com aumento de chuva, temporais, enchentes e eventos extremos.

Além disso, ondas de calor mais frequentes e intensas também podem atingir várias regiões brasileiras. Em estados do Centro-Oeste, como Goiás, por exemplo, isso pode significar temperaturas ainda mais altas durante períodos já conhecidos pelo calor intenso.

O Super El Niño também costuma aumentar o risco de incêndios florestais, principalmente em áreas já afetadas por estiagem prolongada.

Por que 2027 pode ser o ano mais quente da história?

As projeções indicam que o pico do Super El Niño deve ocorrer entre o fim de 2026 e o início de 2027. É justamente nesse período que a maior quantidade de calor tende a ser liberada para a atmosfera.

Isso acontece porque o Pacífico aquecido funciona como uma espécie de gigantesco reservatório de calor. Quando esse calor é transferido para a atmosfera, as temperaturas globais sobem ainda mais.

O problema é que o planeta já está aquecendo por causa do excesso de gases de efeito estufa. Então, quando um Super El Niño acontece, ele não parte de um clima “normal”. Ele se soma a um cenário que já está muito mais quente do que era há algumas décadas.

O aquecimento global funciona como um degrau. Cada evento extremo eleva a temperatura e o planeta nem sempre consegue voltar ao patamar anterior.

Por isso, muitos cientistas falam em um efeito de “escada” climática. O calor acumulado de um evento intenso acaba não sendo totalmente dissipado antes do próximo ciclo, criando uma tendência de aquecimento contínuo.

Cada evento extremo eleva a temperatura e o planeta nem sempre consegue voltar ao patamar anterior

Cada evento extremo eleva a temperatura e o planeta nem sempre consegue voltar ao patamar anterior

Quais países podem ser mais afetados?

Os impactos do Super El Niño devem atingir praticamente todos os continentes.

Na América Central e em partes do norte da América do Sul, a previsão aponta para secas severas. Já Peru e Equador podem enfrentar chuvas fortes e inundações. Nos Estados Unidos, especialmente no Sul, a tendência é de mais calor e eventos extremos.

Na Ásia e na Oceania, países como Índia, Indonésia, Filipinas e Austrália podem enfrentar estiagens intensas, prejudicando agricultura, abastecimento de água e segurança alimentar.

Também há previsão de aumento no número de ciclones e tufões no Pacífico, enquanto o Atlântico pode ter uma temporada de furacões menos intensa.

Tudo isso mostra que o Super El Niño não é apenas um fenômeno climático isolado. Ele pode afetar economia, produção de alimentos, preço da energia, abastecimento e a vida de milhões de pessoas.

O mundo está preparado para um Super El Niño?

Essa talvez seja a pergunta mais difícil.

A ciência consegue prever a possibilidade de um fenômeno como esse com mais antecedência do que no passado. Mas prever não significa, necessariamente, estar preparado.

Governos, produtores rurais, sistemas de energia e serviços de saúde podem precisar se adaptar rapidamente caso o cenário mais extremo se confirme.

O Super El Niño ainda não está garantido, mas o simples fato de essa possibilidade ter ganhado força já mostra que os próximos anos podem ser marcados por mudanças climáticas ainda mais intensas.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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