Senado avança para proibir publicidade de bets no Brasil

Senado avança para proibir publicidade de bets no Brasil

Projeto quer eliminar a presença das apostas no cotidiano. Futebol e mídia seriam os mais impactados pela medida.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Você liga a TV para ver um jogo, abre um site de notícias ou rola o feed das redes sociais e lá estão elas: marcas de apostas esportivas disputando cada segundo da sua atenção. Nos últimos anos, as bets se tornaram parte do cenário cotidiano do futebol, da mídia e da internet. Agora, esse cenário pode mudar radicalmente. O Senado deu um passo importante para retirar essas marcas do centro da vida pública brasileira.

A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou o Projeto de Lei 3.563/2024, que propõe o veto total à publicidade, ao patrocínio e a qualquer forma de promoção de apostas esportivas e jogos de azar online. A proposta reacende um debate que mistura saúde pública, liberdade econômica, futebol e bilhões de reais em jogo.

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A proposta reacende um debate que mistura saúde pública, liberdade econômica, futebol e bilhões de reais em jogo


O que o projeto aprovado pelo Senado propõe?

O texto aprovado altera a Lei das Apostas Esportivas, sancionada em 2023, e endurece drasticamente as regras para o setor. Na prática, o projeto busca eliminar a presença das bets em praticamente todos os espaços de comunicação e visibilidade pública.

Se a proposta avançar, ficará proibida a veiculação de anúncios de apostas em rádio, televisão, jornais, revistas, portais de notícias, sites, aplicativos e até em cartazes físicos. A ideia central é reduzir o estímulo constante ao jogo, que hoje aparece de forma massiva em diferentes meios.

A intenção do projeto é simples e ambiciosa: tirar as bets do cotidiano das pessoas.

Além disso, o texto também proíbe a pré-instalação de aplicativos de apostas em celulares, tablets e smart TVs, fechando uma porta importante de acesso ao público.

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A ideia central é reduzir o estímulo constante ao jogo, que hoje aparece de forma massiva em diferentes meios


Quem está por trás do projeto de lei?

O PL 3.563/2024 é de autoria do senador Randolfe Rodrigues e teve como relatora a senadora Damares Alves. Ambos defendem que a exposição excessiva às apostas esportivas tem gerado impactos negativos nas finanças pessoais e na saúde mental dos brasileiros, especialmente entre jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Segundo a justificativa do projeto, a publicidade não apenas divulga serviços, mas normaliza o jogo como parte da rotina, criando um ambiente propício ao endividamento e à ludopatia.

Como ficam futebol e esportes com o veto à publicidade?

Um dos pontos mais sensíveis do projeto está no impacto direto sobre o marketing esportivo. Caso aprovado, clubes de futebol não poderão mais exibir marcas de bets em uniformes, placas de estádio ou materiais promocionais.

Isso afetaria profundamente o modelo de financiamento do futebol brasileiro, que hoje depende fortemente do patrocínio dessas empresas. Na última temporada, todos os clubes da Série A tinham ao menos uma marca de apostas estampada em seus uniformes.

O veto também se estende a federações, campeonatos e arenas esportivas, que ficariam impedidos de firmar acordos comerciais com empresas do setor.

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Um dos pontos mais sensíveis do projeto está no impacto direto sobre o marketing esportivo


Influenciadores e celebridades também entram no veto?

Sim. O projeto proíbe que celebridades, influenciadores digitais, atletas ou produtores de conteúdo promovam bets em redes sociais ou qualquer outro meio. Também fica vedado o patrocínio de eventos culturais e cívicos por empresas de apostas.

A proposta parte do entendimento de que figuras públicas têm grande poder de influência e ajudam a legitimar o jogo como algo inofensivo ou até desejável.

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O projeto proíbe que celebridades, influenciadores digitais, atletas ou produtores de conteúdo promovam bets


Quais serão as punições para quem descumprir a lei?

O texto prevê sanções pesadas para empresas que ignorarem as restrições. As penalidades incluem advertências, multas que podem variar de R$ 5 mil a R$ 10 milhões, além da suspensão ou até da cassação da autorização para operar no Brasil.

Essas medidas reforçam o caráter restritivo do projeto e indicam que, se aprovado, o veto à publicidade não será apenas simbólico.

Quando a exceção vira regra, o controle deixa de existir. É isso que o projeto tenta evitar.

Como funciona hoje a publicidade de bets no Brasil?

Desde a regulamentação do setor, em 2024, as apostas esportivas já operam sob algumas regras. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária foi responsável por criar um conjunto de normas éticas para o setor, conhecido como Anexo X.

Entre as principais restrições atuais estão a proibição de anúncios que prometam dinheiro fácil, o veto à publicidade direcionada a crianças e adolescentes e a exigência de ações para combater o vício em jogo. Ainda assim, a presença das bets cresceu rapidamente na mídia e no futebol, o que manteve o debate aceso no Congresso.

O tamanho do mercado de apostas no Brasil hoje

Os números ajudam a entender por que o tema ganhou tanta relevância. Em 2025, as empresas de apostas investiram cerca de R$ 1,4 bilhão em mídia, com foco em TV aberta, TV paga, rádio e streaming.

No primeiro ano de mercado regulado, o setor movimentou R$ 37 bilhões em receita bruta, segundo dados do Ministério da Fazenda. Ao todo, mais de 25 milhões de brasileiros fizeram apostas no período, com predominância de homens entre 31 e 40 anos, mas com participação expressiva de jovens adultos.

Esses dados reforçam tanto o peso econômico do setor quanto as preocupações sociais que motivaram o projeto.

O que ainda falta para o veto virar lei?

Apesar da aprovação na Comissão de Ciência e Tecnologia, o projeto ainda precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça, pelo Plenário do Senado, pela Câmara dos Deputados e, por fim, pela sanção presidencial.

O caminho ainda é longo, mas o avanço no Senado indica que o tema seguirá no centro do debate político, econômico e social nos próximos meses.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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