Você já reparou que alguns chocolates parecem cada vez menos chocolate? Em muitos casos, o sabor está mais doce, mais artificial e até mais distante daquele gosto intenso de cacau que muita gente espera ao abrir uma barra. Mas a quantidade mínima de cacau em chocolates pode mudar em breve.
Isso acontece porque a legislação brasileira permitia percentuais relativamente baixos de cacau em diversos produtos. Agora, uma nova proposta aprovada pelo Senado quer mudar isso.
A nova quantidade mínima de cacau em chocolates promete alterar a composição de diferentes tipos de produtos vendidos no país. A ideia é valorizar o cacau brasileiro, aumentar a qualidade do chocolate e tornar as embalagens mais transparentes para os consumidores.
Se o texto for sancionado, alguns produtos terão de mudar de fórmula para continuar sendo vendidos com o nome de chocolate.

Se o texto for sancionado, alguns produtos terão de mudar de fórmula para continuar sendo vendidos com o nome de chocolate
O que muda na quantidade mínima de cacau em chocolates?
Pela nova proposta, a quantidade mínima de cacau em chocolates passa a ser diferente dependendo do tipo de produto.
O chocolate tradicional deverá ter pelo menos 35% de sólidos totais de cacau. Dentro desse percentual, pelo menos 18% precisam ser de manteiga de cacau e 14% de sólidos isentos de gordura.
Já o chocolate ao leite deverá conter ao menos 25% de sólidos totais de cacau, além de um mínimo de 14% de sólidos de leite ou derivados.
Veja os novos percentuais
O chocolate em pó deverá ter no mínimo 32% de sólidos totais de cacau.
O chocolate branco continuará exigindo pelo menos 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos totais de leite.
Hoje, a legislação brasileira exige apenas 25% de sólidos totais de cacau para que um produto seja considerado chocolate tradicional.
Em muitos casos, produtos vendidos como chocolate têm mais açúcar e gordura do que cacau de verdade.
Isso ajuda a explicar por que alguns produtos parecem tão diferentes uns dos outros, mesmo estando na mesma prateleira do supermercado.
Outro ponto importante da proposta envolve as regras de rotulagem.
O texto prevê que o governo federal regulamente a forma como as informações devem aparecer nas embalagens. A intenção é evitar que o consumidor seja induzido ao erro ao comprar produtos com pouco cacau, mas aparência de chocolate tradicional.
Isso pode incluir regras mais claras sobre o percentual de cacau presente em cada produto, além de limites para expressões de marketing que possam confundir o consumidor.

a quantidade mínima de cacau em chocolates passa a ser diferente dependendo do tipo de produto
As mudanças vão melhorar a qualidade?
A resposta não é tão simples. Especialistas apontam que a nova quantidade mínima de cacau em chocolates pode elevar a qualidade média de parte dos produtos, mas isso não significa que todos os chocolates vendidos no mercado vão ficar automaticamente melhores.
Nem todo produto chamado chocolate é igual
Muitas marcas já utilizam percentuais maiores de cacau, principalmente fabricantes de chocolates premium, bean to bar e produtos artesanais.
Por outro lado, cresceu nos últimos anos a presença de produtos conhecidos como “sabor chocolate”, que usam muito menos cacau e mais aromatizantes, gordura vegetal e açúcar.
Esses produtos costumam ser mais baratos e acabam atraindo consumidores que buscam preço baixo.
Quanto menor o teor de cacau, maior tende a ser a presença de açúcar, gordura e ingredientes artificiais.
Especialistas explicam que, em alguns casos, empresas utilizam até mesmo a casca da amêndoa de cacau, que mantém apenas um leve resquício de sabor.
Por isso, a nova quantidade mínima de cacau em chocolates pode ajudar a diferenciar melhor o que realmente é chocolate e o que é apenas um produto com sabor semelhante.
O setor também faz críticas
Apesar do apoio de parte dos produtores de cacau e de fabricantes de chocolates finos, algumas entidades do setor criticaram a proposta.
A principal reclamação é que regras mais rígidas poderiam limitar a inovação e dificultar o surgimento de novos tipos de produtos.
Ainda assim, defensores da medida acreditam que ela pode fortalecer o mercado de cacau brasileiro, valorizar produtores nacionais e oferecer mais transparência para quem compra.
No fim, a mudança pode fazer muita gente perceber algo curioso: nem tudo o que parece chocolate realmente tem tanto cacau quanto imaginamos.