Por que dezembro não é o décimo mês do ano?
Imagine olhar para o calendário e descobrir que ele já foi completamente diferente. Imagine então descobrir que dezembro, que hoje encerra o ano, um dia ocupou a posição de décimo mês de verdade. Parece estranho, mas essa pequena confusão numérica é um rastro de como o tempo já foi organizado de maneiras que hoje pareceriam quase inimagináveis.
Ao longo da História, o calendário romano passou por transformações profundas. Na primeira versão oficialmente usada pelos romanos, o ano começava em março, no equinócio de primavera do Hemisfério Norte, e tinha apenas dez meses. Era um mundo em que o ciclo anual não se parecia em nada com o que vemos hoje.
Esse sistema inicial foi criado pelo imperador Rômulo. Nele, março era o primeiro mês, e dezembro fechava o calendário como o décimo período do ano. Logo depois, o soberano Numa Pompílio acrescentou dois meses ao ciclo anual. Janeiro e fevereiro entraram na conta, mas foram colocados no final da fila, como décimo primeiro e décimo segundo meses.
Com tanta mudança acumulada, algo precisava ser reorganizado. Foi somente com o Calendário Juliano, criado por Júlio César, que o ano passou a começar oficialmente em janeiro. A mudança parecia simples, mas rearranjou toda a lógica numérica que os nomes dos meses carregavam. Setembro, que vinha de sete, deixou de ser o sétimo mês. Outubro, que remete a oito, também perdeu o sentido numérico. E dezembro, associado ao número dez, passou a ser o décimo segundo mês.
O calendário que usamos hoje, o Gregoriano, surgiu em 1582. Mesmo com tantos ajustes feitos ao longo dos séculos, os nomes dos meses permaneceram como heranças de um mundo que organizava o tempo de outra forma.
A seguir, veja o significado e a origem de cada mês e como cada nome guarda histórias impressionantes.
Janeiro
Homenagem a Jano, divindade romana associada às passagens e aos começos. A mesma raiz também originou a palavra janela.
Fevereiro
Ligado ao deus Fébruo e ao período de festas de purificação realizadas pelos romanos para apaziguar espíritos e honrar os mortos.
Março
Inspirado em Marte, deus da guerra, uma das figuras mais importantes da mitologia romana.
Abril
Possui duas possíveis origens. Uma delas seria a ligação com Afrodite, deusa do amor. Outra hipótese relaciona o nome ao verbo latino aperire, que significa abrir, referência ao florescimento na primavera do Hemisfério Norte.
Maio
Nomeado em honra a Maia, deusa ligada à fertilidade, à honra e ao crescimento.
Junho
Dedicado à deusa Juno, protetora da maternidade e das mulheres.
Julho
Anteriormente chamado de Quintilis, por ser o quinto mês do calendário antigo. Foi renomeado em homenagem ao imperador Júlio César após sua morte.
Agosto
Chamado originalmente de Sextilis, pois era o sexto mês. Depois passou a se chamar agosto para celebrar César Augusto, que viveu grandes conquistas pessoais nesse período.
Setembro
Mantém a raiz latina septem, que significa sete, pois já ocupou essa posição no calendário.
Outubro
Origina-se de octo, que significa oito, lembrando o antigo lugar que ocupava.
Novembro
Derivado de novem, que corresponde a nove.
Dezembro
Vem de decem, palavra latina para dez, refletindo seu lugar original no calendário romano primitivo.
Mesmo que o mundo tenha mudado completamente, os nomes dos meses permanecem como cápsulas do tempo que nos conectam às tradições de milhares de anos atrás.