Por que certos sons te dão raiva? Conheça a misofonia

Por que certos sons te dão raiva? Conheça a misofonia

O barulho da mastigação ou o tic-tac do relógio podem causar irritação extrema em quem sofre dessa condição pouco conhecida


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Você já sentiu uma irritação quase incontrolável ao ouvir alguém mastigando? Ou já teve vontade de sair correndo só por causa do som repetitivo de uma goteira? Se a resposta for sim, talvez você já tenha experimentado, mesmo que de leve, um pouco do que sente quem convive com a misofonia.

Mas o que exatamente é a misofonia?

Ao contrário do que muita gente pensa, não é apenas "frescura" ou "exagero". A misofonia, também chamada de Síndrome da Sensibilidade Seletiva ao Som, é uma condição real, que provoca reações emocionais intensas diante de ruídos específicos do cotidiano.

Sons que viram gatilhos emocionais

O mais curioso é que não estamos falando de sons muito altos. Na verdade, a maioria dos gatilhos da misofonia são sons de baixa intensidade, mas com forte repetição. Coisas como:

  • Mastigação

  • Respiração alta

  • Tic-tac de relógio

  • Toques de caneta nervosa na mesa

  • O barulho insistente de alguém clicando a caneta repetidamente

Esses sons ativam um estado de alerta no cérebro de quem sofre da síndrome. O resultado? Irritação, ansiedade, raiva e, em casos extremos, até pânico.

Quem pode ter misofonia?

Segundo especialistas, a misofonia pode afetar qualquer pessoa, mas costuma ser mais comum em quem já tem outros transtornos, como ansiedade, TOC ou autismo.

Curiosamente, exames de audição como a audiometria geralmente não detectam nenhuma alteração no ouvido dessas pessoas. Isso acontece porque o problema está mais relacionado à forma como o cérebro processa os sons, não à capacidade de ouvir em si.

Existe tratamento para a misofonia?

Sim! Apesar de ainda ser uma condição pouco conhecida, já existem formas de tratamento que ajudam bastante a controlar os sintomas.

As principais abordagens incluem:

  • Terapia cognitivo-comportamental

  • Musicoterapia

  • Acompanhamento psiquiátrico e psicológico

Além disso, é recomendado que a pessoa evite ambientes com os sons que mais a incomodam, sempre que possível.

Curiosidade extra:

Richard Feynman, famoso físico e ganhador do Nobel, também tinha grande sensibilidade a ruídos repetitivos. Embora nunca diagnosticado oficialmente com misofonia, ele descrevia irritação extrema ao ouvir certos sons enquanto estudava!

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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