Estudo diz que pessoas inteligentes são mais preguiçosas

Estudo diz que pessoas inteligentes são mais preguiçosas

Pessoas inteligentes podem ficar confortáveis nos próprios pensamentos. Estudo relaciona atividade mental e menos movimento.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Imagine duas pessoas em um domingo à tarde. Uma está caminhando, saindo, procurando algo para fazer. A outra está no sofá, aparentemente sem fazer nada, olhando para o teto ou perdida no celular. À primeira vista, parece óbvio quem seria a mais “preguiçosa”.

Mas e se a segunda pessoa estiver mergulhada em pensamentos, criando ideias, resolvendo problemas mentalmente ou imaginando cenários complexos?

Um estudo curioso tentou entender justamente essa relação e chegou a uma conclusão inesperada: pessoas inteligentes são mais preguiçosas, pelo menos do ponto de vista físico.

Isso não significa necessariamente que elas façam menos coisas ou sejam menos produtivas. Na verdade, a pesquisa sugere que pessoas que gostam mais de pensar tendem a se mover menos porque conseguem passar mais tempo entretidas dentro da própria mente.

Pessoas inteligentes são mais preguiçosas fisicamente porque conseguem passar mais tempo entretidas dentro dos próprios pensamentos.

Pessoas inteligentes são mais preguiçosas fisicamente porque conseguem passar mais tempo entretidas dentro dos próprios pensamentos

Por que pessoas inteligentes são mais preguiçosas?

O estudo foi feito nos Estados Unidos e analisou um grupo de universitários para entender como o estilo de pensamento influenciava o nível de atividade física.

Os pesquisadores dividiram os voluntários entre aqueles que gostavam muito de desafios mentais e aqueles que não tinham tanto interesse em pensar sobre assuntos complexos.

Para isso, foi usada uma escala chamada “Necessidade de Cognição”, que mede o quanto uma pessoa gosta de refletir, resolver problemas, discutir ideias e explorar conceitos abstratos.

Quem pontuava mais alto nessa escala era considerado mais inclinado ao pensamento profundo.

Depois disso, todos os participantes receberam pulseiras capazes de monitorar seus movimentos ao longo da semana.

O resultado chamou atenção: pessoas inteligentes são mais preguiçosas quando se trata de atividade física cotidiana.

Elas caminhavam menos, passavam mais tempo sentadas e se movimentavam menos até mesmo em pequenas tarefas do dia a dia, como levantar para beber água ou ir ao banheiro.

Pessoas inteligentes são mais preguiçosas fisicamente porque conseguem passar mais tempo entretidas dentro dos próprios pensamentos.

Pensar muito pode substituir o movimento?

Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que pessoas que gostam de pensar acabam encontrando estímulo suficiente dentro da própria mente.

Enquanto algumas pessoas precisam mudar de ambiente, conversar, sair ou buscar atividades externas para não ficarem entediadas, quem gosta de desafios mentais consegue ficar horas apenas refletindo, imaginando ou resolvendo problemas internamente.

Isso ajuda a explicar por que pessoas inteligentes são mais preguiçosas do ponto de vista físico.

Elas podem permanecer longos períodos sentadas sem sentir necessidade de se movimentar porque o cérebro continua ocupado o tempo inteiro.

É como se a mente funcionasse como uma espécie de academia interna, cheia de distrações, ideias e estímulos.

Por outro lado, pessoas que não gostam tanto de ficar presas aos próprios pensamentos tendem a procurar mais movimento, mais interação e mais mudanças de cenário.

Elas podem permanecer longos períodos sentadas sem sentir necessidade de se movimentar porque o cérebro continua ocupado o tempo inteiro.

Elas podem permanecer longos períodos sentadas sem sentir necessidade de se movimentar porque o cérebro continua ocupado o tempo inteiro

Pessoas inteligentes são mais preguiçosas só durante a semana?

Curiosamente, a diferença entre os grupos ficou muito menor nos fins de semana.

Durante os dias úteis, as pessoas consideradas mais pensativas realmente se movimentavam menos. Mas aos sábados e domingos, especialmente no domingo, essa diferença diminuía bastante.

Os pesquisadores acreditam que isso pode acontecer porque a rotina universitária influencia muito o comportamento.

Mesmo as pessoas mais introspectivas e intelectuais tendem a sair mais, encontrar amigos ou participar de atividades sociais quando chega o fim de semana.

Enquanto isso, até os mais ativos podem acabar cedendo à famosa preguiça de domingo.

Talvez pessoas inteligentes sejam menos preguiçosas do que parecem. Elas apenas gastam mais energia pensando do que se movimentando.

Ser mais preguiçoso significa ser menos saudável?

Não necessariamente.

Embora o estudo sugira que pessoas inteligentes são mais preguiçosas fisicamente, isso não significa que elas sejam menos produtivas, menos criativas ou menos capazes.

Na verdade, muitas vezes acontece o contrário.

Pessoas que gostam de pensar costumam gastar bastante energia mental, o que pode ser tão cansativo quanto atividades físicas em alguns momentos.

O problema aparece quando esse estilo de vida se torna sedentário demais.

Passar muito tempo sentado, sem se movimentar ou sem fazer exercícios físicos, pode aumentar o risco de diversos problemas de saúde, independentemente do nível de inteligência.

Por isso, o ideal é encontrar equilíbrio.

Mesmo quem ama passar horas lendo, estudando, criando ou pensando precisa lembrar que o corpo também precisa de movimento.

Mesmo quem ama passar horas lendo, estudando, criando ou pensando precisa lembrar que o corpo também precisa de movimento.

Mesmo quem ama passar horas lendo, estudando, criando ou pensando precisa lembrar que o corpo também precisa de movimento

O cérebro pode enganar a sensação de preguiça?

Talvez sim.

Quando alguém está profundamente concentrado em uma ideia, em um livro, em uma conversa ou em um problema para resolver, é comum perder a noção do tempo e esquecer até necessidades básicas, como comer, beber água ou levantar da cadeira.

Isso pode dar a impressão de preguiça, quando, na verdade, a pessoa está apenas muito ocupada mentalmente.

E talvez seja justamente por isso que tanta gente se identifica com a ideia de que pessoas inteligentes são mais preguiçosas.

Nem sempre quem está parado está realmente sem fazer nada.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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