Imagine acordar, abrir o celular e sentir que entende as emoções, hábitos e até os dilemas de uma celebridade que você nunca encontrou. Parece familiar? Para milhões de pessoas, essa sensação já virou parte da rotina. E foi justamente essa conexão invisível que levou a palavra “parassocial” ao topo em 2025.
Essa história começa no cruzamento entre cultura pop, internet e comportamento humano, onde um termo criado há quase setenta anos voltou aos holofotes com força inédita.
O termo que renasceu graças à cultura pop
A escolha de “parassocial” como palavra do ano pelo Dicionário de Cambridge não aconteceu por acaso. O aumento repentino de buscas pelo termo veio logo após o anúncio do noivado de Taylor Swift. A internet entrou em ebulição com fãs comentando cada detalhe como se fizessem parte íntima da vida da cantora.
Comentários como “não estou sendo parassocial, eu juro” tomaram conta das redes e, de repente, uma palavra acadêmica virou trending topic mundial.
“Parassocial é a relação que alguém sente com uma pessoa famosa, personagem fictício ou até uma inteligência artificial, mesmo sem existir reciprocidade.”
As raízes acadêmicas de um fenômeno moderno
Apesar da popularidade recente, o termo nasceu em 1956. Os sociólogos Donald Horton e Richard Wohl observaram que telespectadores criavam laços emocionais com apresentadores e figuras públicas, como se fossem amigos próximos.
Naquele tempo, era a TV que criava essas conexões. Hoje, as redes sociais levaram o fenômeno a um novo patamar. Influenciadores falam olhando direto para a câmera, contam rotinas, compartilham dramas e vitórias. É como se o público estivesse sempre ao lado deles.
Com o avanço da inteligência artificial, essas relações ganharam mais uma camada. Chatbots, avatares e assistentes digitais passaram a fazer parte da vida cotidiana, criando laços que parecem cada vez mais reais.
Quando a relação parassocial vira um alerta
A professora Simone Schnall, da Universidade de Cambridge, destaca que muitas pessoas desenvolvem relações parassociais intensas e até prejudiciais. O sentimento de intimidade cresce, a confiança aumenta e, antes que se perceba, surge uma lealdade que não é correspondida.
Em um mundo hiperconectado, a linha entre admiração saudável e envolvimento emocional excessivo pode ficar tênue.
“É uma relação unilateral, mas sentida como real. E isso pode levar a comportamentos extremos.”
As palavras que também marcaram 2025
Além de “parassocial”, outra palavra ganhou importância: “slop”, usada para descrever conteúdo de baixa qualidade gerado por inteligência artificial. Um reflexo direto do excesso de materiais criados automaticamente e espalhados pela internet.
O Cambridge também adicionou ao seu acervo cerca de 6.000 termos novos, incluindo “tradwife”, que se refere a esposas que defendem estilos de vida tradicionais. O vocabulário digital e social nunca evoluiu tão rápido.
Por que essa palavra representa o nosso tempo?
As relações mudaram. A forma de consumir conteúdo mudou. O jeito de se conectar também. “Parassocial” virou a palavra do ano porque descreve um fenômeno que atravessa música, cinema, redes sociais, influenciadores e tecnologia.
Em 2025, mais do que nunca, é uma palavra que revela como nos relacionamos em uma era de conexões profundas, mas muitas vezes unilaterais.