O maior reservatório de água está dentro do planeta

O maior reservatório de água está dentro do planeta

Um reservatório subterrâneo pode conter seis vezes mais água que todos os oceanos da superfície.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou um oceano gigante escondido debaixo dos seus pés? Pois é exatamente isso que cientistas acreditam ter encontrado: um gigantesco reservatório de água preso dentro de rochas a mais de 600 km de profundidade. Essa água não forma lagos ou rios, mas está armazenada em minerais especiais do manto terrestre, como a ringwoodita e a bridgmanita.

A primeira pista desse “sexto oceano” surgiu no Brasil, em 2014, com a descoberta de um diamante em Juína, no Mato Grosso, contendo traços de ringwoodita — um mineral que só se forma sob altíssimas pressões, típicas da zona de transição do manto terrestre, entre 410 e 660 km de profundidade. Esse mineral tem a incrível capacidade de armazenar água em sua estrutura cristalina.

Mais recentemente, uma descoberta ainda mais impactante veio de Botsuana, na África, onde cientistas encontraram outro diamante com 1,5 cm, contendo minerais profundos e vestígios de água. Segundo pesquisadores da Universidade de Frankfurt, a zona de transição onde esses diamantes se formam pode conter até seis vezes o volume de água dos nossos oceanos.

Essa água subterrânea não está em forma líquida convencional. Trata-se de rochas hidratadas, onde a água está presa em forma molecular, como parte da estrutura dos minerais.

O que isso muda sobre nosso conhecimento do planeta?

Essa descoberta pode revolucionar a compreensão sobre a dinâmica da Terra. A presença de água no manto profundo influencia o movimento das placas tectônicas, os terremotos, a formação de vulcões e até o ciclo geológico da água. Isso mesmo: parte da água que evaporou há milhões de anos pode estar circulando sob nossos pés até hoje.

Além disso, a teoria ajuda a explicar um dos grandes mistérios da ciência: como o planeta Terra mantém seus oceanos há bilhões de anos sem que eles desapareçam completamente. A resposta pode estar nesse oceano escondido, que funciona como um “depósito natural” de longa duração.

A realidade que imita a ficção

O mais curioso? A ideia de um oceano subterrâneo já havia sido imaginada por Júlio Verne, em Viagem ao Centro da Terra, lançado em 1864. No livro, o autor descreve mares internos, criaturas pré-históricas e ventos subterrâneos — tudo baseado na imaginação. Mas agora, a ficção científica parece cada vez mais próxima da ciência real.

Curiosidade: se toda essa água presa no manto fosse liberada de uma vez, o nível dos oceanos subiria dezenas de metros, alterando completamente o equilíbrio da vida na superfície.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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