O drama silencioso das últimos rinocerontes brancas do mundo

O drama silencioso das últimos rinocerontes brancas do mundo

Cientistas tentam salvar da extinção uma espécie que já perdeu seu último macho e hoje sobrevive apenas em duas fêmeas.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

O mundo está diante de um caso real de extinção em tempo real. Restam apenas duas representantes vivas do rinoceronte branco do norte, uma das criaturas mais ameaçadas do planeta. E ambas são fêmeas: Najin e sua filha Fatu, que vivem sob forte proteção no Quênia.

O último macho da espécie morreu em 2018. E desde então, o futuro dos rinocerontes brancos do norte passou a depender única e exclusivamente de avanços científicos e de um certo grau de esperança.

A ciência como último recurso

Para tentar impedir o desaparecimento total da espécie, pesquisadores do projeto BioRescue estão realizando algo que nunca foi feito antes com rinocerontes: a criação de embriões em laboratório e a transferência para fêmeas de uma subespécie próxima, os rinocerontes brancos do sul.

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Pode parecer ficção científica, mas a técnica já é comum em humanos, cavalos e vacas. Só que agora ela está sendo usada para tentar reverter um dos maiores colapsos da biodiversidade do nosso tempo.

O esperma utilizado foi coletado de dois machos já falecidos. E se tudo correr bem, o nascimento de um filhote 100% rinoceronte branco do norte poderá acontecer ainda este ano.. algo que não ocorre desde o ano 2000.

Mas será que isso é suficiente?

Infelizmente, não. Mesmo com o nascimento de novos filhotes, a diversidade genética da espécie ainda será extremamente baixa. E é aí que entra uma nova estratégia: a edição genética.

Os cientistas planejam usar técnicas avançadas para inserir mais diversidade no DNA dos futuros rinocerontes, inclusive recuperando material genético de museus, coletado décadas atrás. A ideia é criar uma base viável para reintroduzir a espécie no mundo com chances reais de sobrevivência a longo prazo.

Uma luta contra o tempo e contra a história

Originalmente, os rinocerontes brancos do norte habitavam regiões da África Central, como Uganda, Sudão do Sul e República Democrática do Congo. Mas a caça predatória, motivada principalmente pelo comércio ilegal de seus chifres, reduziu essa população quase ao zero.

Agora, resta torcer para que a ciência consiga vencer o tempo, as estatísticas e os erros humanos do passado.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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