O Agente Secreto faz história e vence o Globo de Ouro

O Agente Secreto faz história e vence o Globo de Ouro

Filme de Kleber Mendonça Filho vence prêmio internacional e reposiciona o Brasil no cinema mundial.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Poucas cenas são tão simbólicas quanto um cineasta brasileiro subindo ao palco de uma das maiores premiações do mundo enquanto o nome do país ecoa na plateia. Na noite deste domingo, 11 de janeiro de 2026, esse momento ganhou contornos históricos quando O Agente Secreto venceu o Globo de Ouro de melhor filme em língua não inglesa, colocando novamente o Brasil no centro do cinema internacional.

Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o longa superou o até então favorito Valor Sentimental, da Noruega, além de produções elogiadas da França, Coreia do Sul, Tunísia e Espanha. A vitória não foi apenas um troféu, mas um gesto simbólico de reconhecimento à força criativa do cinema brasileiro em um cenário global cada vez mais competitivo.

O cinema brasileiro, mais uma vez, provou que suas histórias locais têm potência universal.

Ao receber o prêmio, Kleber Mendonça Filho fez questão de agradecer ao público brasileiro e destacou a parceria com Wagner Moura, protagonista do filme. Em um discurso emocionado, o diretor ressaltou que a combinação entre amizade e talento artístico foi essencial para o impacto do longa, arrancando aplausos calorosos da plateia.

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Ao receber o prêmio, Kleber Mendonça Filho fez questão de agradecer ao público brasileiro

 

Uma vitória rara e carregada de significado

Com o prêmio, O Agente Secreto se torna apenas o segundo filme brasileiro a vencer o Globo de Ouro nessa categoria. O primeiro foi Central do Brasil, em 1999, um marco que parecia distante no tempo. A lembrança de Orfeu Negro, vencedor em 1960 como produção francesa, reforça o peso simbólico dessa conquista genuinamente brasileira.

A vitória também consolida uma trajetória impressionante. Antes do Globo de Ouro, o longa já havia sido consagrado no Festival de Cannes, onde Kleber Mendonça Filho levou o prêmio de melhor diretor e Wagner Moura foi eleito melhor ator. Mais recentemente, o filme venceu o Critics Choice Awards na categoria de melhor filme estrangeiro.

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O Agente Secreto se torna apenas o segundo filme brasileiro a vencer o Globo de Ouro nessa categoria

 

O cinema brasileiro em um momento decisivo

Durante seu discurso, Kleber Mendonça Filho destacou que este é um momento crucial para fazer cinema, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. O recado foi direto aos jovens cineastas: continuar criando, filmando e insistindo em contar histórias autorais, mesmo diante das dificuldades.

Quando o cinema brasileiro vence, não é só um filme que ganha. É toda uma geração que se sente autorizada a sonhar maior.

Agora, as expectativas se voltam para o Oscar. A aposta é que O Agente Secreto figure entre os indicados a melhor filme internacional e que Wagner Moura também apareça na disputa por melhor ator. A lista oficial de indicados será divulgada no dia 22 de janeiro, e o clima já é de otimismo.

Mais do que uma vitória isolada, o prêmio reforça algo que o público brasileiro vem sentindo há alguns anos: o cinema nacional vive um período de maturidade artística, reconhecimento internacional e diálogo direto com o mundo.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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