Mosquitos são encontrados pela primeira vez na Islândia

Mosquitos são encontrados pela primeira vez na Islândia

Até os mosquitos estão mudando de endereço por causa do aquecimento global.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Já imaginou viver em um lugar onde o zumbido de um mosquito simplesmente não existe?
Por muito tempo, essa foi a realidade gelada da Islândia, um dos últimos refúgios do planeta livre dessas pequenas criaturas insistentes. Mas parece que o frio perdeu a batalha.

Pesquisadores do Instituto de História Natural da Islândia confirmaram algo inédito: os primeiros mosquitos foram encontrados vivendo em ambiente natural no país. Três exemplares da espécie Culiseta annulata, duas fêmeas e um macho, foram descobertos a cerca de 30 quilômetros ao norte de Reykjavík, no vale glacial de Kjós.

E o mais curioso? Quem fez a descoberta não foi um cientista em expedição, mas um entusiasta de insetos, Björn Hjaltason, que estava apenas observando mariposas com cordas embebidas em vinho.

“A última fortaleza parece ter caído”, escreveu ele em uma rede social, depois de perceber que aquele mosquito era algo que nunca tinha visto antes.

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Os  primeiros mosquitos foram encontrados vivendo em ambiente natural no país

Um visitante resistente

O entomologista Matthías Alfreðsson, responsável pela identificação, confirmou que a espécie é conhecida por sua resistência ao frio extremo, diferente dos mosquitos tropicais, que preferem calor e umidade.

Segundo ele, essa espécie sobrevive a invernos rigorosos e pode aguentar longos períodos de congelamento. Ou seja: não é um simples turista perdido, mas um possível novo morador.

“Essa espécie é bem adaptada a climas frios e pode atravessar invernos longos e duros”, explicou Alfreðsson.

O calor chegou ao Ártico

O achado aconteceu após uma primavera incomum na Islândia, marcada por recordes de calor. As temperaturas ultrapassaram os 20 °C por dez dias seguidos, algo quase inédito por lá. No aeroporto de Egilsstaðir, os termômetros chegaram a 26,6 °C, o recorde histórico para o mês de maio.

Essas condições mais quentes podem ter criado o ambiente perfeito para os mosquitos sobreviverem. E isso acende um alerta: será que o aquecimento global está prestes a mudar até o ecossistema dos lugares mais frios do planeta?

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O achado aconteceu após uma primavera incomum na Islândia

De onde eles vieram?

Ainda não se sabe ao certo como os mosquitos chegaram à ilha.
Hjaltason suspeita que tenham vindo em navios ou contêineres que atracaram no porto industrial de Grundartangi, perto de sua casa.

“Se três vieram direto para o meu jardim, provavelmente há mais por perto”, disse o descobridor.

Os insetos foram capturados nas mesmas cordas embebidas em vinho usadas para atrair mariposas — um método curioso que acabou se mostrando eficiente também para os novos visitantes alados.

O início de uma nova era?

Por enquanto, os cientistas ainda não sabem se os mosquitos conseguirão se adaptar e sobreviver ao inverno islandês. O monitoramento continua, e os próximos meses dirão se eles apenas passaram por ali… ou se pretendem ficar de vez.

De todo modo, a descoberta já é simbólica. A Islândia, um dos últimos lugares livres desses insetos, pode ter perdido mais do que o título — talvez tenha ganhado um novo sinal dos tempos quentes que estão por vir.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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