Meta registra IA que continua postando após morte do usuário

Meta registra IA que continua postando após morte do usuário

Quem controla sua vida digital após a morte? IA pode manter seu perfil ativo para sempre.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Imagine abrir uma rede social e ver uma nova postagem de alguém que já morreu. A foto parece real. O texto tem o mesmo estilo. As respostas aos comentários também. Para quem acompanha de fora, tudo parece normal.

Mas a pessoa não está mais aqui.

Esse cenário, que até pouco tempo parecia coisa de ficção científica, já está sendo estudado por grandes empresas de tecnologia. A Meta registrou uma patente que descreve um sistema de inteligência artificial capaz de continuar interagindo nas redes sociais em nome de um usuário, mesmo após sua ausência ou morte.

A ideia levanta uma pergunta que vai muito além da tecnologia: até onde deve ir a presença digital de alguém?

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A Meta registrou uma patente que descreve um sistema de IA que continua interagindo, mesmo após a morte do usuário


Como funcionaria a presença digital pós-vida?

De acordo com o documento, o sistema seria baseado em grandes modelos de linguagem, capazes de aprender o estilo de escrita, comportamento e preferências do usuário a partir do histórico de publicações.

Na prática, a IA poderia:

  • Publicar conteúdos automaticamente

  • Curtir e reagir a posts

  • Responder comentários e mensagens

  • Simular conversas por texto

  • Em alguns casos, até reproduzir voz ou imagem em chamadas

A proposta inicial não foi pensada apenas para casos de falecimento. A tecnologia também poderia ser usada por influenciadores ou profissionais que desejam se afastar temporariamente das redes sem perder engajamento.

Mas o próprio documento reconhece que o impacto muda completamente quando o usuário não pode mais voltar.

Quando a presença digital continua ativa após a morte, a experiência deixa de ser técnica e passa a ser profundamente emocional.

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Segundo a empresa, não há planos atuais para desenvolver ou lançar esse sistema


A Meta vai lançar essa tecnologia?

Segundo a empresa, não há planos atuais para desenvolver ou lançar esse sistema. No entanto, o registro da patente garante os direitos sobre a ideia caso ela seja explorada no futuro.

E o fato de a tecnologia estar sendo considerada já foi suficiente para reacender debates importantes sobre privacidade, identidade digital e os limites da inteligência artificial.

Porque, na prática, essa não é apenas uma questão de inovação.

É uma discussão sobre memória, luto e até sobre o significado da ausência.

O que são os “deadbots”?

O conceito já existe fora das grandes empresas. Startups vêm desenvolvendo sistemas conhecidos como deadbots, que usam inteligência artificial para recriar a personalidade de pessoas falecidas.

Essas versões digitais são treinadas com:

  • Mensagens antigas

  • Áudios e vídeos

  • Publicações em redes sociais

  • Conversas pessoais

O objetivo pode variar. Para alguns, a tecnologia serve como forma de preservar memórias. Para outros, funciona como uma tentativa de manter o vínculo emocional.

Mas especialistas em saúde mental alertam que esse tipo de recurso pode dificultar o processo natural de luto.

Quando a tecnologia simula presença, o cérebro pode ter dificuldade em aceitar a ausência.

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Para alguns, a tecnologia serve como forma de preservar memórias


O debate ético: memória ou manipulação?

A discussão sobre IA e pós-vida envolve diferentes áreas: direito, psicologia, tecnologia e até filosofia.

Entre as principais preocupações estão:

  • Quem autoriza o uso dos dados após a morte?

  • Quem controla a identidade digital da pessoa?

  • A IA poderia dizer algo que a pessoa nunca diria?

  • Até que ponto isso respeita a memória do falecido?

Outro ponto sensível envolve o uso comercial. Perfis que continuam ativos poderiam gerar engajamento, audiência e até receita, o que levanta questionamentos sobre exploração da imagem.

Não por acaso, celebridades já começaram a proteger legalmente sua voz, rosto e identidade para uso após a morte.

A vida digital já faz parte do legado

Hoje, cada pessoa deixa um enorme rastro digital: fotos, vídeos, conversas, textos, opiniões e memórias armazenadas em servidores.

Isso transformou a herança digital em um novo tema de planejamento pessoal. Especialistas recomendam que as pessoas definam em vida o que deve acontecer com seus perfis, arquivos e dados.

Algumas plataformas já permitem:

  • Transformar perfis em memoriais

  • Nomear um contato herdeiro

  • Solicitar a exclusão de contas

A inteligência artificial, porém, leva essa discussão para outro nível.

Porque não se trata mais apenas de guardar lembranças.

Trata-se de recriar comportamentos.

O futuro da presença digital

A tecnologia avança rapidamente, mas a sociedade ainda está tentando entender seus limites. O que é tecnicamente possível nem sempre é emocionalmente saudável ou eticamente aceitável.

A ideia de uma versão digital que continua ativa após a morte pode parecer reconfortante para alguns e perturbadora para outros.

Talvez a pergunta mais importante não seja se a tecnologia vai existir.

Mas se nós, como sociedade, estamos preparados para ela.

No fim das contas, a inteligência artificial pode simular palavras, imagens e respostas.

Mas ainda não consegue substituir algo essencial.

A ausência real que define a memória humana.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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