Lua e Vênus se encontrarão no céu nesta noite. Saiba como observar

Lua e Vênus se encontrarão no céu nesta noite. Saiba como observar

Encontro aparente poderá ser observado a olho nu após o pôr do sol. Binóculos podem melhorar a visão, mas não são necessários.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Quando o Sol desaparecer no horizonte nesta segunda-feira, 14 de setembro, dois dos objetos mais brilhantes do céu estarão esperando por quem se lembrar de olhar para cima. De um lado, a delicada Lua crescente. Bem perto dela, como se fizesse parte da mesma paisagem, estará Vênus brilhando intensamente no começo da noite.

O encontro entre Lua e Vênus poderá ser observado a olho nu em diferentes regiões do Brasil, desde que o céu esteja limpo e o horizonte oeste não esteja bloqueado por prédios, árvores ou montanhas. Embora pareçam estar muito próximos, os dois astros continuam separados por uma enorme distância no espaço. A proximidade é apenas um efeito de perspectiva visto da Terra.

Nesta ocasião, a Lua terá pouco mais de três dias e aproximadamente 14% de sua face visível estará iluminada. Vênus aparecerá como um ponto branco muito brilhante nas proximidades. O planeta é tão luminoso que costuma ser um dos primeiros objetos celestes a surgir durante o crepúsculo, mesmo antes de o céu ficar completamente escuro.

no interior de São Paulo, a previsão astronômica indica que Lua e Vênus estarão visíveis por volta das 18h19, aproximadamente 36 graus acima do horizonte oeste

No interior de São Paulo, a previsão astronômica indica que Lua e Vênus estarão visíveis por volta das 18h19, aproximadamente 36 graus acima do horizonte oeste

Como observar Lua e Vênus nesta noite?

O melhor momento para iniciar a observação será logo depois do pôr do sol. Em Itapetininga, no interior de São Paulo, a previsão astronômica indica que Lua e Vênus estarão visíveis por volta das 18h19, aproximadamente 36 graus acima do horizonte oeste. Os horários e a altura dos astros podem variar alguns minutos ou graus conforme a localização do observador.

Uma forma simples de medir a altura no céu é usar o próprio punho. Com o braço completamente estendido, a largura de um punho fechado corresponde a aproximadamente 10 graus. Dessa forma, uma altura de 36 graus equivale a pouco mais de três punhos acima do horizonte.

A dupla deverá continuar descendo lentamente em direção ao oeste e permanecer visível até perto das 21h em Itapetininga. Em outras cidades brasileiras, o horário em que os astros desaparecem poderá ser diferente. Para ter uma boa visão, procure um lugar aberto, com pouca iluminação artificial e uma visão desimpedida do horizonte.

Observadores no Hemisfério Sul terão uma posição favorável para acompanhar o fenômeno, com os astros aparecendo mais altos no céu depois do pôr do sol. No Hemisfério Norte, a dupla também poderá ser vista, mas estará mais baixa no horizonte durante a noite.

Mesmo separados por milhões de quilômetros, Lua e Vênus parecerão formar uma dupla no céu terrestre.

É preciso usar telescópio ou binóculos?

Não. O encontro entre Lua e Vênus poderá ser contemplado a olho nu. Na verdade, observar sem equipamentos pode ser a melhor maneira de perceber os dois astros compondo a mesma paisagem, principalmente quando o horizonte ainda estiver tingido pelas cores do entardecer.

Binóculos podem tornar a experiência ainda mais interessante, revelando detalhes da parte iluminada da Lua e facilitando a localização de Vênus enquanto o céu ainda estiver claro. No entanto, é importante esperar o Sol se pôr completamente antes de apontar qualquer instrumento para a região oeste. Olhar para o Sol através de binóculos ou telescópios sem filtros apropriados pode causar danos graves e permanentes à visão.

A separação entre os astros também poderá dificultar o enquadramento confortável dos dois em determinados telescópios, que costumam mostrar uma área pequena do céu. Por esse motivo, o fenômeno é especialmente interessante para observação a olho nu, binóculos de campo amplo e fotografias feitas com celulares ou câmeras.

Por que Lua e Vênus parecem estar tão próximas?

O fenômeno é conhecido como aproximação aparente ou apulso. O termo descreve o momento em que dois objetos celestes atingem uma pequena separação angular quando vistos da Terra. Em textos de divulgação, encontros desse tipo também costumam ser chamados de conjunção, embora as expressões tenham definições astronômicas um pouco diferentes.

A Lua estará muito mais perto de nós, a centenas de milhares de quilômetros da Terra. Vênus, por sua vez, estará a dezenas de milhões de quilômetros. Como os dois aparecerão quase na mesma direção em nossa linha de visão, o cérebro interpreta a cena como se eles estivessem lado a lado.

É algo parecido com observar uma pessoa em uma calçada e uma montanha distante logo atrás dela. Dependendo da posição do observador, as duas podem parecer próximas em uma fotografia, apesar de estarem separadas por muitos quilômetros.

Durante a maior aproximação, ocorrida ao longo do dia, Lua e Vênus passaram visualmente a uma distância comparável ao diâmetro aparente da própria Lua. Quando a noite chegar ao Brasil, os astros já terão se afastado um pouco, mas ainda formarão uma combinação bastante chamativa. Em algumas regiões da Europa, da África e da Ásia, a geometria do encontro chegou a permitir uma ocultação, quando a Lua passou diante de Vênus.

Observar sem equipamentos pode ser a melhor maneira de perceber os dois astros compondo a mesma paisagem, principalmente quando o horizonte ainda estiver tingido pelas cores do entardecer

Observar sem equipamentos pode ser a melhor maneira de perceber os dois astros compondo a mesma paisagem

Por que Vênus brilha tanto?

Vênus é frequentemente chamado de estrela-d’alva ou estrela vespertina, mas não é uma estrela. Trata-se de um planeta coberto por nuvens densas que refletem grande parte da luz recebida do Sol. Sua relativa proximidade com a Terra também ajuda a explicar por que ele parece tão brilhante.

Nesta segunda-feira, os dois astros estarão projetados na direção da constelação de Virgem. Isso não significa que estejam fisicamente próximos das estrelas dessa constelação. As estrelas de Virgem estão muito mais distantes e apenas ocupam a mesma região aparente do céu.

O brilho de Vênus deverá ficar ainda mais impressionante nos próximos dias. O planeta se aproxima de seu período de maior brilho no céu vespertino, previsto para ocorrer por volta de 18 de setembro. Ao telescópio, ele apresenta fases parecidas com as da Lua e aparece atualmente como um crescente, consequência de sua posição em relação à Terra e ao Sol.

Para fotografar Lua e Vênus, apoie o celular em uma superfície firme, evite o zoom digital exagerado e toque na região da Lua para ajustar a exposição. Diminuir um pouco o brilho da imagem pode ajudar a preservar o formato do crescente e evitar que Vênus se transforme em uma mancha luminosa.

Fenômenos assim lembram que não é preciso viajar para um observatório ou possuir equipamentos caros para experimentar a astronomia. Às vezes, basta encontrar uma janela, uma praça ou uma calçada com vista para o oeste. Se as nuvens permitirem, Lua e Vênus farão do começo desta noite um pequeno espetáculo cósmico ao alcance de qualquer pessoa.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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