Licença-paternidade de até 20 dias é aprovada no Senado

Licença-paternidade de até 20 dias é aprovada no Senado

O início da vida de uma criança é um período decisivo. A presença dos pais pode influenciar profundamente o desenvolvimento.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

O nascimento de um bebê costuma transformar completamente a rotina de uma família. São dias intensos, cheios de adaptação, aprendizado e muitas vezes também de cansaço.

Durante muito tempo, no Brasil, esse momento contou com um apoio bastante limitado para os pais. A legislação garantia apenas cinco dias de licença-paternidade, período considerado por muitos especialistas como insuficiente para acompanhar o início da vida de um filho.

Agora, esse cenário pode começar a mudar.

O Senado Federal aprovou um projeto de lei que amplia gradualmente a licença-paternidade no Brasil, passando dos atuais cinco dias para até 20 dias de afastamento. O texto ainda precisa de sanção presidencial para entrar em vigor.

A mudança reacende um debate importante sobre o papel dos pais na primeira infância e sobre como políticas públicas podem influenciar o desenvolvimento das crianças.

O início da vida de uma criança é um período decisivo. A presença dos pais pode influenciar profundamente o desenvolvimento emocional e social.

O Senado Federal aprovou um projeto de lei que amplia gradualmente a licença-paternidade no Brasil

O Senado Federal aprovou um projeto de lei que amplia gradualmente a licença-paternidade no Brasil

Como funcionará a nova licença-paternidade?

O projeto aprovado estabelece uma expansão gradual da licença-paternidade ao longo dos próximos anos.

A mudança ocorrerá em etapas:

  • A partir de 2027, a licença passa de 5 para 10 dias

  • No terceiro ano de vigência da lei, o benefício sobe para 15 dias

  • No quarto ano, a licença chegará a 20 dias

Esse afastamento poderá ser utilizado após o nascimento do filho, adoção ou obtenção de guarda da criança.

O objetivo é permitir que os pais participem de forma mais ativa dos primeiros dias da vida do bebê, um período considerado fundamental para o vínculo familiar.

Além disso, a proposta também permite que a licença seja dividida em dois momentos.

O primeiro período precisa ocorrer imediatamente após o nascimento ou adoção. Já o segundo pode ser utilizado até 180 dias depois da chegada da criança.

Esse afastamento poderá ser utilizado após o nascimento do filho, adoção ou obtenção de guarda da criança

Esse afastamento poderá ser utilizado após o nascimento do filho, adoção ou obtenção de guarda da criança

O que é o salário-paternidade?

Outra novidade prevista no projeto é a criação do chamado salário-paternidade.

Esse mecanismo funciona de forma semelhante ao salário-maternidade. Durante o período de afastamento, o pai continuará recebendo sua remuneração normalmente.

O pagamento será feito inicialmente pela empresa, que posteriormente será reembolsada pelo INSS.

Hoje, na regra atual, o empregador arca diretamente com os cinco dias de afastamento.

A nova proposta busca equilibrar os custos e evitar que o benefício gere impactos desproporcionais para as empresas.

Outras regras previstas na nova legislação

Além da ampliação do tempo de afastamento, o projeto aprovado pelo Senado traz outras mudanças relevantes.

Entre elas estão:

Estabilidade no emprego:
O trabalhador terá garantia de emprego por um mês após o término da licença-paternidade.

Possibilidade de emendar férias:
O pai poderá combinar previamente com o empregador a possibilidade de emendar férias com o período de licença.

Licença especial em caso de falecimento da mãe:
Se ocorrer a morte da mãe durante o parto ou no período logo após o nascimento, o pai poderá utilizar os 120 dias de licença-maternidade.

Ampliação em casos específicos de adoção:
Quando a adoção envolver uma criança ou adolescente com deficiência, o período de licença será ampliado em um terço.

Essas medidas buscam adaptar a legislação às diferentes realidades familiares.

A licença-paternidade no Brasil sempre foi considerada uma das mais curtas do mundo.

A licença-paternidade no Brasil sempre foi considerada uma das mais curtas do mundo.

Por que a mudança foi proposta?

A licença-paternidade no Brasil sempre foi considerada uma das mais curtas do mundo.

A regra atual existe desde a Constituição de 1988, que estabeleceu o período de cinco dias como uma medida provisória até que o Congresso criasse uma regulamentação definitiva.

Esse debate se intensificou recentemente após uma decisão do Supremo Tribunal Federal.

Em 2023, o STF determinou que o Congresso regulamentasse a licença-paternidade em até 18 meses, apontando que a legislação estava defasada em relação às transformações sociais.

Segundo a Corte, os cinco dias previstos há mais de três décadas não refletem mais a realidade das famílias brasileiras.

Hoje, muitos especialistas defendem que o envolvimento do pai na primeira infância pode trazer benefícios significativos para o desenvolvimento das crianças.

O impacto da presença paterna na infância

Diversos estudos indicam que a presença ativa dos pais nos primeiros anos de vida pode gerar efeitos positivos duradouros.

Pesquisas sobre desenvolvimento infantil mostram que o envolvimento familiar contribui para:

  • maior segurança emocional da criança

  • melhor desempenho escolar

  • redução de problemas comportamentais

  • fortalecimento dos vínculos familiares

Um estudo do economista James Heckman, vencedor do Prêmio Nobel, aponta que investimentos feitos na primeira infância geram alguns dos maiores retornos sociais e econômicos.

Segundo o pesquisador, cada dólar investido nos primeiros anos de vida pode gerar múltiplos benefícios ao longo do tempo.

Os primeiros anos de vida são decisivos para o desenvolvimento humano. O ambiente familiar exerce um papel fundamental nesse processo.

Diversos estudos indicam que a presença ativa dos pais nos primeiros anos de vida pode gerar efeitos positivos duradouros.

Diversos estudos indicam que a presença ativa dos pais nos primeiros anos de vida pode gerar efeitos positivos duradouros.

Críticas e preocupações sobre a proposta

Apesar do apoio de muitos especialistas, a proposta também recebeu críticas durante sua tramitação no Congresso.

Alguns parlamentares argumentam que a ampliação da licença poderia gerar impactos para pequenas empresas, especialmente em setores com equipes reduzidas.

Há preocupação de que mudanças obrigatórias na legislação trabalhista possam afetar a dinâmica de contratação em determinados segmentos.

Mesmo assim, o projeto avançou nas duas casas do Congresso e agora aguarda apenas a sanção presidencial.

Um debate que envolve família, trabalho e sociedade

A ampliação da licença-paternidade reflete uma mudança gradual na forma como a sociedade enxerga o papel dos pais.

Durante décadas, a criação dos filhos foi vista principalmente como responsabilidade das mães. Hoje, cresce o reconhecimento de que o cuidado com as crianças deve ser compartilhado.

Políticas públicas voltadas para a primeira infância estão cada vez mais presentes no debate social.

E a nova licença-paternidade faz parte dessa transformação.

Mais do que um benefício trabalhista, a proposta levanta uma reflexão maior sobre tempo, família e participação ativa na criação dos filhos.

Reportar um erro

Encontrou um erro neste conteúdo? Descreva o problema abaixo e nossa equipe verificará.

Reportar-erro

Compartilhar

Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

Saiba mais

Veja também