IA do Google dá informações de saúde erradas e perigosas, revela teste

IA do Google dá informações de saúde erradas e perigosas, revela teste

Respostas geradas por inteligência artificial recomendam exame impróprio, sugerem dieta prejudicial e fazem sugestões consideradas "muito perigosas" por especialistas, aponta teste do jornal inglês Guardian; empresa desabilitou IA em certas buscas após a publicação do caso


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

De um ano e meio para cá, as buscas no Google passaram a incluir uma resposta por escrito, redigida por IA. Essa função, que se chama AI Overviews, ajudou a compensar a perda de eficácia do buscador (que foi sendo soterrado por links patrocinados e páginas de SEO predatório). Ela pode ser bem útil. Mas também pode fornecer respostas com informações erradas, que colocam a saúde do usuário em risco.

Foi o que revelou uma investigação do jornal inglês The Guardian, cujos jornalistas fizeram buscas sobre algumas questões de saúde e pediram que médicos e especialistas analisassem os resultados. Eles classificaram várias das respostas fornecidas pelo AI Overviews como “completamente erradas”, “alarmantes” e “realmente perigosas”.   

Numa delas, por exemplo, a IA do Google disse que pessoas com câncer de pâncreas devem evitar comidas gordurosas. Segundo especialistas ouvidos pelo Guardian, isso é exatamente o contrário da recomendação médica, e pode agravar a doença.

Em outro caso, o robô forneceu dados errados sobre testes hepáticos, que poderiam levar pessoas com doença no fígado a acreditar que eram saudáveis. Numa busca sobre “sintomas de câncer vaginal”, a IA recomendou um tipo de exame inadequado – e, em pesquisas sobre transtornos alimentares e doenças mentais, deu sugestões consideradas “muito perigosas” (o Guardian não relatou quais).  

Há duas explicações possíveis. O algoritmo do AI Overviews pode ter sido alimentado com informações incorretas, ou pode ter “alucinado” – um fenômeno típico dos “grandes modelos de linguagem” (LLMs), como o ChatGPT e o Gemini, que às vezes inventam coisas (isso é um efeito colateral da recombinação de tokens que os robôs executam para gerar respostas).  

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Questionado pelo jornal inglês, o Google disse que faz “investimentos significativos” na qualidade do AI Overviews, “especialmente em tópicos como saúde”, e afirmou que “a grande maioria [das respostas] provê informação precisa”.    

Uma semana após a revelação do caso, o Guardian refez as buscas – e descobriu que o Google havia desabilitado o AI Overviews em duas das pesquisas utilizadas nos testes. Mas o jornal também constatou que, se essas buscas fossem digitadas de modo ligeiramente diferente, as respostas geradas por IA voltavam a aparecer. 

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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