Você já imaginou que por trás de vídeos virais, repletos de danças, risadas e uma rotina de mansão aparentemente dos sonhos, pudesse existir um cenário obscuro de exploração? O que parecia ser apenas entretenimento digital para mais de 20 milhões de seguidores se transformou em uma grave investigação policial e, neste domingo (22), culminou em uma pesada condenação judicial.
A Justiça da Paraíba, por meio do juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, condenou o influenciador digital Hytalo Santos e seu marido, Israel Vicente (conhecido como Euro), por produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes.
Para a Justiça, a vulnerabilidade das vítimas foi o principal combustível para as práticas ilícitas. Em números concretos, a sentença determinou:
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Hytalo Santos: Condenado a 11 anos e 4 meses de prisão.
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Israel Vicente (Euro): Condenado a 8 anos e 10 meses de prisão.
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Indenização: Pagamento de R$ 500.000,00 por danos morais, além de 360 dias-multa para cada um.
De "Mansão" a "Moeda de Troca"
O magistrado descreveu um cenário perturbador: os jovens, chamados carinhosamente pelo influenciador de "crias", eram inseridos em um ambiente artificial e altamente controlado, muito semelhante a um reality show.
Longe de ser um ambiente familiar saudável, a Justiça apontou que os adolescentes eram expostos a contextos adultos e situações de risco extremo. Havia permissividade com bebidas alcoólicas e negligência com a educação e alimentação dos menores. O objetivo? Chamar atenção da internet.
O depoimento do também influenciador Felipe Bressanim, o Felca, foi uma peça-chave no quebra-cabeça da acusação. Segundo ele, a dupla promovia uma "adultização" dos jovens, expondo-os a situações de conotação erótica para gerar cliques.
"A prova digital que consta dos autos demonstra de maneira cristalina que os réus utilizavam os adolescentes como 'moeda de troca', visando audiência e lucro", destacou um trecho do processo.
O Que Diz a Defesa?
Presos preventivamente desde agosto do ano passado, Hytalo e Euro permanecem em regime fechado, que foi considerado pelo juiz como incompatível com a liberdade provisória neste momento. Contudo, a batalha legal está longe de terminar.
A defesa do casal classificou a decisão como dona de "fragilidade jurídica" e afirmou que recorrerá. Segundo os advogados, provas e testemunhas (inclusive da própria acusação) foram apresentadas para atestar a inocência do casal. Um pedido de habeas corpus segue em julgamento no Tribunal de Justiça da Paraíba.
Além da frente jurídica, a condenação gerou forte reação no círculo íntimo do influenciador. Kamyla Maria, a "Kamylinha", filha adotiva de Hytalo, usou suas redes sociais para declarar que a decisão é reflexo de preconceito:
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"Sei de toda a dor e sofrimento que uma pessoa negra e gay sofre no Brasil, mas sei que a justiça não fechará os olhos para isso" — desabafou a influenciadora, levantando o debate sobre racismo e homofobia no desenrolar do caso.
Enquanto a defesa tenta reverter a sentença nas instâncias superiores, o processo principal corre em paralelo a outra grave denúncia na Justiça do Trabalho: tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão. O portal Já Imaginou Isso? continuará acompanhando os desdobramentos dessa história.