Galinha dos pontos de ouro

Galinha dos pontos de ouro

Mês passado apostamos no coelho. Este mês, no galo. No Blog Por Trás da Página, veja o resultado de mais uma fezinha na capa da Super.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Se você leu os últimos dois textos do blog “Por trás da página”, percebeu que capas especiais envolvem muitas pessoas no processo. Não é sempre assim, mas dessa vez (também) foi. Outra coisa que você já deve ter percebido se chegou até aqui comigo é que eu adoro uma maluquice. 

Há um bom tempo eu e a Manu Mourão (repórter que escreveu a matéria de capa) estamos sonhando com a oportunidade de falar sobre fofoca na Super. Isso porque essa foi a primeira pauta que ela sugeriu para a revista – mas a última que fez conosco. Eis que chega nossa chance. 

Assim que a Manu compartilhou comigo a abordagem da matéria (e a ciência por trás da fofoca), comecei a bolar metáforas. Nessas, cheguei a pensar em uma mesa com cafézinho da tarde, janela que dá pra rua, banco de praça – enfim, lugares onde a fofoca nasce, cria pernas e uma vida própria. Mas nada chegava lá, até porque sempre faltava o enfoque da pauta (a ciência em si). Até que me dei conta que o verbo tricotar, quando aplicado no contexto da vida social, representava tudo que eu queria ilustrar. Ou, nesse caso, tricotar.

Legal. Um suéter funcionaria bem dentro da estética de capas que uso pra Super e seria algo legal de explorar. Algo que eu nunca tinha feito ou usado antes. Além disso, eu podia focar no desenho do suéter pra representar a ciência da fofoca. Decidi ir pro mais clássico e bom clichê com a escadinha da evolução. Mas não qualquer escadinha. 

Influenciada pela figurinha de fofoca mais famosa do Brasil, achei que usar a evolução da galinha (ou galo, no caso) desde o ovo até a idade adulta com um bule de café na mão seria naturalmente a melhor escolha possível. 

"Captura<span class="hidden">–</span>Amandraft/WhatsApp/Superinteressante/Reprodução

Depois que todo mundo aprovou (e riu) da minha proposta, lá vou eu aprender sobre a diferença entre tricô e crochê – e que seria possível usar ambas as técnicas pra chegar visualmente no mesmo resultado.

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Mas a saga só começa de verdade quando descobri uma variedade de potenciais tricoteiros e crocheteiros que ia de senhorinhas que fazem crochê nos cafés e lojas de bricolagem a influencers de amigurumi ou bonés do corinthians. 

Depois de trocar muitos zaps e ligações longas, recebi uma mensagem da Tayrine Cruz, uma das ilustradoras mais talentosas com quem trabalhamos na Super há bons anos. Ela viu meu resquício de esperança materializado em um stories no Instagram divulgando a procura. Ufa! 

"Captura<span class="hidden">–</span>Juliana Krauss/Superinteressante

Respirei aliviada. Apesar da Tay nunca ter feito uma comissão desse tipo e de não necessariamente tricotar, eu tinha certeza de que a gente ia conseguir construir juntas essa capa e chegar em um bom resultado, adaptando o projeto a partir de todos os desafios que certamente iriam aparecer. E assim fomos.

Uma galinha, duas mulheres e um sonho

Eu já tinha uma ideia da composição que queria e o tamanho das coisas na página, mas pra garantir que o desenho ficaria legível (e, consequentemente, a piada também), decidimos que seria necessário aprovar uma malha digital.

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"Fotografia<span class="hidden">–</span>Tayrine Cruz/Superinteressante

Com a malha, a Tay logo entendeu que o tamanho da peça ficaria imensa, considerando um negócio que muitas vezes ferra a gente (designers) e se chama definição. Pra evitar que imagens que você recebe no zap fiquem com aquele aspecto borrado de baixa qualidade, precisamos que ela tenha uma quantidade relativamente grande de pedacinhos, chamados pixels. Quanto mais pixels, mais definição e menos borrado. No caso da malha, cada pixel equivale a um ponto do crochê. A maior galinha tinha que ter no mínimo 33 pontos de altura pra ficar compreensível. 

A Tay sugeriu que a gente fizesse cada pedaço do desenho (ovo, pintinho, galo, etc) e depois um pedaço do suéter com a gola, tudo separado. Isso garantiria que ela não perdesse o tempo crochetando partes desnecessárias e que, caso desse algo errado, seria mais fácil ajustar do que desmanchar (tínhamos apenas duas semanas para esta etapa do processo).

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Por conta disso, a gente precisaria de alguma edição de imagens para juntar os pedaços digitalmente. E lá vou eu chamar o Luiz F. Pilato de novo. Felizmente, ele topou (e vai entrar em cena de verdade alguns parágrafos adiante).

A Tayrine começou pelo ovo e confesso que fiquei um pouco preocupada, já que o desenho dele fora de contexto não fica tão claro. Mas botei fé e seguimos pro galo maior e os outros dois na sequência. Por último, ela fez o pedaço de gola e suéter que usaríamos de base pra juntar todo mundo na mesma imagem. 

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"Fotografia<span class="hidden">–</span>Tayrine Cruz/Superinteressante "Fotografia<span class="hidden">–</span>Tayrine Cruz/Superinteressante "Fotografia<span class="hidden">–</span>Tayrine Cruz/Superinteressante

Um dia antes da sessão de fotos, recebi a imagem de todos os pedaços prontos e percebi que a gola não estava detalhada o suficiente (e tudo bem, pois nosso objetivo maior sempre foi focar nas galinhas). Para que o leitor entendesse rapidamente que se tratava de um suéter, considerando que mostraríamos uma parte da peça de roupa, a gola deveria ser mais encorpada.

Mandei mensagem pro Luiz lá pras 00:30 com fotos de todos os meus suéteres verdes (descobri que, pasmem, tenho 6 deles!) e o meu cachorro, Déco, deitado ao fundo como quem não precisaria fazer uma capa acontecer no dia seguinte. 

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"Fotografia<span class="hidden">–</span>Juliana Krauss/Superinteressante

O Luiz me apontou quais funcionariam para a pós produção. Guardei tudo numa caixa e voltei a assistir qualquer bobagem de true crime com o Déco na esperança de que tudo daria certo amanhã. E não é que deu? (:

Colocando todos os ovos na cesta

Passei o dia seguinte com a Ana e o Daniel do Studio Oz de fotografia. Um dos casais mais legais do estado de SP e excelentes no que fazem. Eles fotografaram cada pedaço em altíssima resolução e testamos diferentes tamanhos e opções de novelos pra composição da capa com todos os elementos gráficos (título, linha fina, faixa da Super, etc).

"Fotografia<span class="hidden">–</span>Juliana Krauss/Studio Oz/Superinteressante

Aqui vem a próxima fase que ficou a encargo do Luiz. Ele precisava: 1. completar a malha do suéter ponto por ponto até que cada um deles ficasse do mesmo tamanho que as peças da galinha; 2. juntar uma gola de outra peça, ajustando cor e tamanho para ficar o mais integrado possível; 3. ajustar a cor do bule, que estava com baixo contraste na malha verde. Que trabalhão… Mas nada que o Luiz não faça parecer fácil assim que você vê o resultado.

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Extremamente feliz com o resultado dela e com o risco e percalços que decidimos bancar ao longo do caminho. Espero muito que você goste tanto quanto eu e até mês que vem com mais fofocas do time de design da Super! 

"Fotografia<span class="hidden">–</span>Studio Oz/Superinteressante
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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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