Entenda de uma vez a diferença entre hantavirose e leptospirose

Entenda de uma vez a diferença entre hantavirose e leptospirose

O que realmente diferencia hantavirose e leptospirose? O perigo pode estar na água ou até no ar.


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Imagine abrir um galpão fechado há semanas. O cheiro de poeira parada toma conta do ambiente. A luz entra pelas frestas enquanto partículas invisíveis começam a subir no ar. Agora imagine outra cena: ruas alagadas após uma enchente, água barrenta entrando nas casas e pessoas caminhando descalças no meio da lama.

As duas situações parecem diferentes. Mas ainfal, quais as diferenças entre hantavirose e leptospirose?

Ambas escondem riscos que envolvem roedores e doenças potencialmente graves.

É justamente por isso que muita gente acaba confundindo-as. As duas têm relação com ratos, podem começar com sintomas parecidos e podem levar à internação. Só que, apesar das semelhanças, elas funcionam de formas completamente diferentes.

E entender essa diferença pode literalmente salvar vidas.

Nos últimos meses, a hantavirose voltou a chamar atenção após casos graves envolvendo passageiros de um cruzeiro que saiu da Argentina, além de registros em regiões da América do Sul. Com isso, muita gente passou a pesquisar novamente sobre hantavirose e leptospirose.

Mas afinal: o que realmente muda entre elas?

As duas têm relação com ratos, podem começar com sintomas parecidos e podem levar à internação

As duas têm relação com ratos, podem começar com sintomas parecidos e podem levar à internação

A leptospirose vem de uma bactéria

A leptospirose é causada por uma bactéria chamada Leptospira. Ela costuma estar presente principalmente na urina de ratos urbanos, especialmente em locais com esgoto aberto, lixo acumulado e enchentes.

Diferente da hantavirose, o problema aqui normalmente está na água contaminada.

Quando uma pessoa entra em contato com enchentes, lama, poças ou superfícies contaminadas pela urina de ratos, a bactéria pode penetrar no organismo por pequenos cortes na pele ou até pelas mucosas dos olhos e da boca.

Por isso a leptospirose costuma aumentar muito em períodos de chuva intensa.

Os sintomas iniciais podem parecer uma gripe forte:

Febre alta
Dor muscular
Dor de cabeça
Calafrios
Cansaço intenso

O perigo é que, nos casos graves, a bactéria pode atingir rins, fígado e pulmões, causando hemorragias e insuficiência renal.

Muitas pessoas acreditam que o maior perigo das enchentes é apenas a água. Mas, em vários casos, o verdadeiro risco é invisível.

Muitas pessoas acreditam que o maior perigo das enchentes é apenas a água. Mas, em vários casos, o verdadeiro risco é invisível

Já a hantavirose é causada por um vírus

Aqui está uma das maiores diferenças entre hantavirose e leptospirose.

A hantavirose não é causada por bactéria, mas sim pelo hantavírus, encontrado principalmente em roedores silvestres.

Enquanto a leptospirose está ligada à água contaminada, a hantavirose costuma acontecer pela respiração.

Isso assusta muita gente.

Quando fezes, saliva ou urina dos roedores secam no ambiente, partículas microscópicas podem se misturar ao ar. Ao varrer um celeiro, limpar uma cabana fechada ou mexer em depósitos infestados, a pessoa pode acabar inalando o vírus sem perceber.

É exatamente por isso que atividades como:

Acampamentos
Ecoturismo
Trabalho rural
Limpeza de depósitos fechados
Contato com áreas silvestres

são consideradas fatores de risco importantes para hantavirose.

Enquanto a leptospirose está ligada à água contaminada, a hantavirose costuma acontecer pela respiração.

Enquanto a leptospirose está ligada à água contaminada, a hantavirose costuma acontecer pela respiração

Por que a hantavirose preocupa tanto?

A hantavirose costuma começar de forma aparentemente simples.

No início, os sintomas lembram diversas viroses comuns:

Febre
Dor muscular
Mal-estar
Dor de cabeça

Só que, em alguns pacientes, o quadro evolui rapidamente para uma síndrome pulmonar grave.

A pessoa começa a sentir falta de ar intensa e pode desenvolver acúmulo de líquido nos pulmões.

A taxa de mortalidade da hantavirose é considerada alta.

Outro detalhe que chamou atenção dos cientistas envolve uma variante específica identificada na Argentina chamada cepa Andes.

Na maior parte do mundo, a hantavirose praticamente não passa de pessoa para pessoa. Porém, essa variante já demonstrou uma rara capacidade de transmissão humana em contatos muito próximos e prolongados.

Foi justamente isso que reacendeu o alerta após investigações envolvendo passageiros de cruzeiros na América do Sul.

A hantavirose pode transformar sintomas parecidos com gripe em uma emergência respiratória em poucos dias.

Então por que tanta gente confunde hantavirose e leptospirose?

A resposta está nas semelhanças superficiais.

Hantavirose e leptospirose:

Envolvem roedores
Podem começar como uma gripe
Podem evoluir para quadros graves
Têm relação com exposição ambiental

Mas os mecanismos são totalmente diferentes.

A leptospirose está mais ligada ao contato com água contaminada por urina de rato urbano.

Já a hantavirose normalmente envolve a inalação de partículas contaminadas por roedores silvestres.

É água contaminada de um lado.

Ar contaminado do outro.

Como se proteger dessas doenças?

A prevenção faz enorme diferença tanto para hantavirose e leptospirose.

Algumas medidas simples ajudam bastante:

Evitar contato com água de enchente
Usar botas e luvas em áreas alagadas
Ventilar locais fechados antes da limpeza
Não varrer ambientes com poeira acumulada
Usar máscara em locais suspeitos
Evitar acúmulo de lixo
Armazenar alimentos corretamente

Muita gente subestima o perigo porque associa ratos apenas a sujeira urbana comum.

Mas doenças transmitidas por roedores continuam sendo um problema sério em várias partes do mundo.

E às vezes, aquilo que parece apenas “poeira” ou “água suja” pode esconder algo muito mais perigoso.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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