Cientistas encontram pedaços de vidro formados após colisão cósmica

Cientistas encontram pedaços de vidro formados após colisão cósmica

Fragmentos espalhados de Minas Gerais ao Piauí indicam que, há 6,3 milhões de anos, um impacto atingiu a América do Sul


Jordão Vilela
Por Jordão Vilela

Imagine só: há milhões de anos, meteoritos caíram sobre a Terra e causaram um impacto de alta energia, formando uma cratera e derretendo as rochas. Parte desse material fundido foi arremessado para longe, viajando pela atmosfera e esfriando rapidamente. O resultado são os tectitos, vidros naturais raros encontrados a grandes distâncias do local da colisão original.

Sua superfície é marcada por pequenas cavidades, formadas por bolhas de gás aprisionadas durante o resfriamento acelerado. À primeira vista, os tectitos lembram pedras vulcânicas, com aparência preta e opaca. Mas, contra a luz, revelam uma tonalidade verde translúcida. Outra característica essencial é o teor extremamente baixo de água em sua composição.

Esses vidros só haviam sido identificados anteriormente na Australásia, na Europa Central, na Costa do Marfim, em Belize e na América do Norte. Agora, um artigo publicado na revista Geology, liderado por Álvaro Penteado Costa, professor da Unicamp, relata, pela primeira vez, a presença desse material no Brasil. A descoberta amplia o ainda escasso registro de grandes impactos na América do Sul e indica que os tectitos podem ser mais comuns do que se imaginava.

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Os exemplares brasileiros foram encontrados em municípios do norte de Minas Gerais e, em homenagem ao estado, ganharam o nome de “geraisitos”. Análises mostram que eles apresentam teores de sódio e potássio ligeiramente mais elevados do que os de outros tectitos já conhecidos.

Após a submissão do artigo, amostras semelhantes também foram identificadas na Bahia e no Piauí. Até agora, já são mais de 600 vidros catalogados, distribuídos por uma área que ultrapassa 900 quilômetros de extensão.

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Apesar de pequenos e leves – com menos de cinco centímetros e pesos que variam de 1 a 85,4 gramas –, as investigações químicas indicam que os geraisitos se originaram de uma mesma colisão ocorrida há, no máximo, 6,3 milhões de anos, durante o Mioceno. Em termos geológicos, isso significa que se trata de uma cratera relativamente jovem.

Mas onde ocorreu esse impacto? O material derretido que deu origem aos geraisitos tem mais de 3 bilhões de anos, o que leva os cientistas a acreditar que o meteorito atingiu terrenos graníticos do Cráton do São Francisco. A cratera em si ainda não foi localizada, mas, considerando a quantidade de geraisitos encontrados e a grande área em que se espalham, a expectativa é que ela seja de grandes proporções.

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Sobre o autor

Jordão Vilela

Jordão Vilela é publicitário, criador de conteúdo e curioso por natureza. Apaixonado por cultura, ciência, comportamento e tudo aquilo que faz a gente parar e pensar “já imaginou isso?”.

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